Estudo liderado pelo WPI revela que o biocombustível de bambu pode atingir custos competitivos e baixas emissões, surgindo como alternativa promissora aos derivados de petróleo no mercado de energia.
A busca por alternativas sustentáveis aos combustíveis fósseis ganhou um novo aliado promissor vindo do reino vegetal. Uma pesquisa recente demonstrou que o bambu possui capacidade técnica e econômica para originar um biocombustível de alto rendimento.
Desenvolvido com a participação do Worcester Polytechnic Institute (WPI), o levantamento combina experimentos laboratoriais e modelos ambientais. Os dados indicam que a planta pode ser convertida em energia limpa com custos competitivos para o mercado atacadista.
Publicado na revista científica Sustainable Energy & Fuels em outubro de 2026, o estudo analisa tanto a transformação da biomassa em óleo quanto a eficiência no uso do solo.
Processo térmico e eficiência na conversão
Para extrair o potencial máximo da vegetação, os cientistas utilizaram a espécie Phyllostachys nuda em um processo conhecido como liquefação hidrotérmica.
A técnica submeteu a matéria-prima a uma temperatura de 300 graus Celsius durante dez minutos, dispensando o uso de catalisadores químicos adicionais.
O experimento alcançou um rendimento de 35,6% de óleo biológico em massa e uma taxa de recuperação de carbono de 53,1%.
Viabilidade econômica e impacto ambiental
Em um cenário de produção industrial consolidada, os modelos projetam um custo de produção de 2,75 dólares por galão equivalente de gasolina.
Esse valor refere-se ao preço estimado na saída da fábrica, permitindo comparações diretas com as cotações praticadas no mercado de combustíveis no atacado.
Além disso, a pegada ecológica é extremamente baixa, registrando apenas 3,5 gramas de dióxido de carbono equivalente por megajoule no ciclo de vida.
Essa marca considera a capacidade natural que os rizomas subterrâneos da planta possuem para armazenar carbono durante o cultivo.
A eficiência espacial também se destaca: a espécie conseguiria igualar a produção de energia do etanol de milho dos Estados Unidos ocupando apenas 13% da área cultivada equivalente.
Avanços contínuos e novos horizontes
Esta pesquisa amplia trabalhos anteriores do WPI, que em fevereiro de 2022 já havia explorado o uso da moagem e tratamento enzimático para extrair açúcares fermentáveis da planta.
A nova rota de processamento térmico promete expandir a atuação do insumo renovável para mercados mais exigentes em termos de densidade energética.
Sobre o avanço dos trabalhos, o professor de engenharia química Michael Timko destacou que:
pesquisas adicionais poderão ampliar as possibilidades de aplicação no transporte pesado e na aviação.
Próximos passos para a transição energética
Apesar dos resultados otimistas, os autores enfatizam que os valores obtidos representam um potencial teórico e projeções econômicas, exigindo validação em escala comercial.
O desenvolvimento contínuo da tecnologia pode consolidar a gramínea como uma importante matriz limpa para atender às metas globais de descarbonização do setor de transportes.













