Especialistas afirmam que o expansionismo tecnológico brasileiro exigirá a adoção da energia nuclear para suprir o consumo colossal dos novos centros de dados.
O território nacional caminha para se consolidar como o principal polo de infraestrutura digital da América Latina, impulsionado pelo apetite global por inteligência artificial. Contudo, a magnitude desse crescimento esbarra em um desafio logístico e técnico sem precedentes: a necessidade de abastecimento elétrico ininterrupto para alimentar complexos tecnológicos multibilionários.
Segundo projeções recentes da indústria, o mercado voltado a essa tecnologia tem potencial para movimentar trilhões de dólares nos próximos anos. Diante desse cenário, lideranças do setor energético apontam que a matriz tradicional não será suficiente para sustentar a operação contínua exigida pelas corporações globais de tecnologia.
O desafio do consumo contínuo
Os centros de processamento exigem eletricidade ininterrupta, funcionando em regime integral de 24 horas por dia. Especialistas destacam que qualquer oscilação na rede pode acarretar prejuízos astronômicos, superando o custo de construção de uma planta de geração complexa.
Para Celso Cunha, presidente da Abdan, a expansão projetada para as próximas décadas torna inevitável a incorporação de matrizes atômicas. A discussão ganha tração em meio a debates regulatórios sobre incentivos fiscais para o setor tecnológico no país.
Celso Cunha afirmou:
Alguns milissegundos sem energia em um data center custam mais caro do que uma usina nuclear inteira. O Brasil tem um potencial enorme para atrair data centers e se fala em até 70 gigawatts até 250, mas é humanamente impossível atender uma demanda dessa sem considerar a energia nuclear.
A solução dos pequenos reatores
Uma das alternativas em debate envolve o emprego dos chamados SMRs (Pequenos Reatores Modulares). Com potência reduzida em comparação às usinas convencionais, essas unidades oferecem flexibilidade na instalação e operação escalável.
A tecnologia permite que os complexos tecnológicos adquiram capacidade adicional de forma gradual, conforme a expansão das operações. O modelo de fabricação em série reduz prazos e custos logísticos, facilitando a integração com grandes redes consumidoras.
O desdobramento dessas discussões depende da regulamentação de incentivos federais voltados à infraestrutura digital. O mercado aguarda diretrizes governamentais para definir quais fontes serão priorizadas no atendimento a esses megaprojetos.














