Reeleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aponta a transição energética como pilar central para atrair gigantes de data centers e fomentar a inteligência artificial soberana no Brasil.
Em seu primeiro pronunciamento após ser reconduzido ao cargo de presidente da República na noite de domingo, 25 de outubro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desenhou as diretrizes estratégicas para o seu próximo mandato de quatro anos. O chefe do Executivo enfatizou que a abundância de fontes renováveis no país será o principal atrativo para a instalação de infraestruturas de armazenamento e processamento de dados em território nacional.
O discurso marcou uma inflexão em direção à soberania tecnológica. Ao vincular o potencial energético brasileiro à expansão digital, o presidente deixou claro que o Brasil não pretende ser apenas um espectador da corrida tecnológica global, mas sim um player capaz de desenvolver sua própria infraestrutura de dados e inteligência de máquinas, reduzindo a dependência de potências como China e Estados Unidos.
Soberania digital e matriz energética
A visão apresentada pelo petista integra os pilares da economia verde e da inovação. Segundo o presidente, o país deve converter sua vocação para energias limpas em um diferencial competitivo para o setor tecnológico, exigindo, em contrapartida, que essas empresas garantam o processamento de informações estratégicas de interesse nacional.
“Temos que aproveitar o potencial energético de um país que talvez seja o que tenha mais capacidade de energia renovável. Eu não quero ficar dependendo da inteligência artificial chinesa ou americana, eu quero criar uma brasileira.”
Incentivos e contrapartidas legais
A estratégia do governo para atrair investimentos já possui base legal consolidada. Com a sanção da Lei 15.504/2026, que instituiu o Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter), o Executivo desonerou a aquisição de equipamentos de ponta, suspendendo tributos como PIS/Cofins, IPI e o Imposto de Importação.
No entanto, o acesso a esses incentivos fiscais impõe contrapartidas rigorosas. As empresas beneficiadas devem operar estritamente com energia limpa e destinar, ao menos, 10% da capacidade de processamento para demandas brasileiras, seja para o setor público ou para o ecossistema científico nacional. Além disso, há a obrigatoriedade de aplicar 2% dos valores investidos em projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D) no país.
A expectativa é que o fortalecimento dessa infraestrutura tecnológica funcione como um efeito multiplicador para outras áreas, incluindo o avanço da economia criativa e da transformação digital industrial. Com metas ambiciosas para o Programa Energias da Amazônia e o monitoramento do crescimento da frota de veículos elétricos, o governo de Lula sinaliza que a infraestrutura, a tecnologia e a sustentabilidade serão o norte da gestão nos próximos anos.












