O Paraná consolida sua aposta na transição energética com uma carteira de projetos de biometano que supera R$ 1 bilhão, focando na integração entre produtores e grandes empresas consumidoras.
O setor de energia renovável no Paraná acaba de ganhar um impulso estratégico com o alinhamento de investimentos bilionários voltados à cadeia do biometano. Durante a 7ª Reunião do Comitê de Biogás e Biometano, realizada em outubro na capital paranaense, a Supen (Superintendência-Geral de Gestão Energética) colocou frente a frente produtores e empresas com alta demanda energética, visando converter resíduos da agroindústria em combustível de baixo carbono.
O movimento reflete uma estratégia clara de estado: transformar os passivos ambientais — como dejetos e biomassa — em uma fonte de energia viável tanto para processos industriais quanto para o transporte rodoviário de cargas. Com investimentos acumulados que ultrapassam a marca de R$ 1 bilhão, o plano vai além da produção, contemplando também a infraestrutura necessária para a distribuição de gás canalizado.
Do campo à indústria: o ciclo do biometano
A valorização do biometano não é apenas uma questão ambiental, mas um pilar de competitividade econômica. Para o superintendente de Gestão Energética, Sandro Vieira, a conversão de resíduos agroindustriais oferece uma oportunidade singular de descarbonização para a indústria paranaense. A ideia é criar um mercado onde o excedente de matéria-prima das atividades rurais se converta em um combustível de alto valor agregado.
“Converter esses materiais em biometano de maior valor agregado e com características de descarbonização representa uma oportunidade para o desenvolvimento do setor energético paranaense.”
Conectando oferta e demanda
Para que o projeto saia do papel com eficiência, o governo estadual tem promovido o diálogo direto entre o setor público e empresas privadas. Representantes da AESA, da CRJ Logística e da Renault Geely do Brasil participaram do encontro, compartilhando suas necessidades operacionais e os desafios técnicos para a transição de matriz energética. Essa interação é fundamental para garantir que a infraestrutura de distribuição seja desenhada para atender, na prática, aos perfis de consumo das indústrias e transportadoras.
Articulação e próximos passos
Além da viabilidade técnica, o debate avançou sobre questões regulatórias e de mercado, como a implementação dos Certificados de Garantia de Origem de Biometano (CGOBs), conduzida em parceria com a Block-C. A ABiogás (Associação Brasileira do Biogás e do Biometano) também integra esse ecossistema, atuando diretamente na remoção de gargalos que impedem a escala do setor.
O coordenador de Gás Natural, Biocombustíveis e Hidrogênio Renovável da Supen, Thiago Olinda, reforça que o papel do governo é atuar como um facilitador. A expectativa é que, com essa articulação institucional, os investimentos projetados se traduzam em obras reais de infraestrutura, fortalecendo a posição do Paraná como um hub de energia renovável no país e pavimentando o caminho para uma economia industrial cada vez mais sustentável.
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