A micro e minigeração distribuída ganhará protagonismo na matriz elétrica brasileira até 2036, respondendo por quase 40% de toda a nova capacidade instalada prevista para o período no país.
O setor elétrico brasileiro vive uma transformação estrutural acelerada, com a Geração Distribuída (GD) consolidando-se como um dos pilares centrais do desenvolvimento energético nacional. Segundo a minuta do Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 (PDE 2036), colocada em consulta pública pelo Ministério de Minas e Energia (MME), o país deve adicionar 110 GW de capacidade instalada nos próximos dez anos, sendo que 41,4 GW virão especificamente de soluções de geração própria.
Este movimento é impulsionado majoritariamente pela tecnologia solar fotovoltaica. A estimativa elaborada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) projeta que a capacidade total de geração do Brasil saltará de 272 GW, em 2026, para 382 GW em 2036. Nesse cenário, a GD não apenas cresce em volume absoluto, mas amplia sua relevância no suprimento nacional, elevando sua participação na matriz de 8,2% para 10,9% ao final da próxima década.
Investimentos e a força da geração centralizada
Embora a geração distribuída avance com velocidade expressiva, os grandes projetos centralizados continuam sendo o motor principal do aporte financeiro no setor. O PDE 2036 estima um montante de R$ 638 bilhões destinados especificamente à geração e transmissão de eletricidade até 2036. Desse total, R$ 415 bilhões estão reservados para a geração centralizada, que engloba investimentos robustos em parques eólicos, usinas solares de grande porte e fontes de base, como termelétricas e hidrelétricas.
A necessidade de flexibilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) frente à intermitência natural das fontes renováveis também pautou o planejamento oficial. O plano prevê a inclusão de 9,2 GW em sistemas de armazenamento, sendo a maior parte composta por baterias, e outros 4 GW via mecanismos de resposta da demanda.
Esses recursos deverão contribuir para atender às necessidades de potência e flexibilidade do Sistema Interligado Nacional, diante do crescimento das fontes renováveis variáveis e das mudanças no perfil de consumo.
Desafios e perspectivas para a matriz
Apesar da expansão contínua de fontes como a eólica e a solar, o planejamento indica um leve recuo na participação percentual das renováveis na matriz elétrica global brasileira, que deve passar de 90% para 88,8% até 2036. Esse fenômeno é explicado pelo aumento absoluto do consumo — projetado para crescer cerca de 39% no período — e pela necessidade de manter fontes de segurança, como termelétricas e a geração nuclear, que terão um papel estratégico na estabilidade do sistema conforme a demanda industrial e a eletrificação da economia brasileira se intensificam.
O horizonte até 2036 também contempla um reforço maciço na rede de transmissão, com R$ 127 bilhões destinados à construção de novas linhas e ampliação da capacidade de transformação. Com o suporte necessário para escoar a energia gerada em diferentes regiões, o governo mira atender a novas cargas, como a instalação de data centers e o avanço da mobilidade elétrica, garantindo que o sistema acompanhe a transição energética do país com segurança e eficiência operacional.
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