O ONS trabalha em um novo mapeamento para medir a capacidade da rede básica em absorver a energia gerada pela geração distribuída, visando maior estabilidade ao sistema elétrico brasileiro.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) está estruturando uma nova ferramenta de mapeamento focada no impacto da micro e minigeração distribuída (MMGD) em nossas redes.
Com o crescimento acelerado de fontes renováveis, especialmente a energia solar, o órgão busca quantificar exatamente quanto volume vindo das redes de distribuição pode ser injetado na rede básica sem comprometer a segurança operacional.
A iniciativa, apresentada durante o Smart Grid Fórum, reflete a necessidade de modernizar a gestão do setor elétrico.
O objetivo é transcender os mapas de escoamento atuais e criar uma visão integrada que contemple a complexidade dos recursos energéticos distribuídos espalhados pelo território nacional, garantindo que o avanço da transição energética ocorra com previsibilidade técnica.
Integração e gestão descentralizada
Para operacionalizar essa interface, o ONS tem apostado em um sandbox regulatório em parceria com distribuidoras.
O modelo visa testar o papel do DSO (Distribution System Operator) na gestão de recursos energéticos, permitindo que o operador monitore e despache esses ativos em tempo real para atender a demandas sistêmicas, sem que isso signifique o controle direto das redes locais pelo órgão federal.
O ONS não tem intenção de chegar na rede de distribuição como operador, ele tem intenção de ter interface com a distribuidora para que isso possa acontecer.
Segurança e o papel das baterias
Em paralelo, o operador desenvolve o Esquema Regional de Alívio de Geração (ERAG), uma camada de proteção automatizada projetada para mitigar excessos de oferta no sistema.
A expectativa é implementar um projeto-piloto ainda este ano, capaz de realizar cortes automáticos de até 3 GW em usinas solares remotas, garantindo a estabilidade em momentos críticos de oscilação.
A estratégia também inclui o uso estratégico de sistemas de armazenamento em baterias.
Segundo o ONS, a contratação de baterias via Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) não servirá apenas para suprir o atendimento à ponta de consumo, mas também funcionará como um recurso fundamental de flexibilidade para o sistema elétrico.
A transição para um modelo mais digitalizado e interoperável é, hoje, o maior desafio do setor.
O sucesso dessa empreitada depende da integração bem-sucedida entre tecnologia, telemetria e coordenação entre as entidades, transformando o vasto parque de geração distribuída em uma ferramenta ativa de suporte à rede, em vez de um passivo operacional.
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