Exportações brasileiras para os EUA sofrem retração significativa devido a tarifas, com setores-chave impactados.
O fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos registrou um notável recuo de 9,7% nos primeiros oito meses do ano, culminando em vendas externas avaliadas em US$ 24,1 bilhões.
Este cenário, delineado pelo Monitor do Comércio Brasil–EUA, aponta para uma perda de US$ 2,6 bilhões em comparação com o mesmo período do ano anterior, atingindo o menor patamar para o período desde 2023.
Os dados evidenciam o peso das sobretaxas tarifárias impostas pelo mercado norte-americano.
Essa desaceleração afeta de maneira generalizada as principais cadeias produtivas brasileiras. A indústria de transformação, a extrativa e a agropecuária, pilares das exportações nacionais, observaram um encolhimento em seus embarques para os EUA.
Tal movimento contrasta com o desempenho positivo desses mesmos setores quando direcionados para outros destinos globais, sublinhando a especificidade do impacto das barreiras comerciais.
O Fardo das Tarifas e o Impacto Setorial
Produtos que enfrentam sobretaxas variando entre 25% e 37,5% foram particularmente atingidos. No acumulado do ano, essas mercadorias apresentaram uma queda de 29,1% em suas exportações, totalizando uma perda de US$ 3,6 bilhões.
Madeira de coníferas, fumo não processado, sebo bovino e granito despontam como alguns dos exemplos mais afetados por essa política.
A indústria de transformação, responsável pela vasta maioria (83,3%) dos embarques brasileiros aos Estados Unidos, sentiu o golpe com uma retração de 4,9%. Essa é a primeira vez desde 2020 que o setor observa um decréscimo em suas vendas para o mercado americano.
A indústria extrativa sofreu uma queda ainda mais expressiva de 28,9%, seguida pela agropecuária, com um recuo de 26,7%.
Déficit e a Busca por Reequilíbrio
O fluxo comercial bilateral também se mostra em declínio, com as importações brasileiras de bens americanos caindo 8,6%. Essa dinâmica resultou em um déficit comercial de US$ 3,2 bilhões para o Brasil, com a movimentação total de comércio entre os dois países diminuindo em US$ 5,2 bilhões.
Apesar do cenário desafiador, o mês de agosto trouxe um sopro de otimismo, com um avanço de 12,1% no valor exportado. Esse crescimento foi impulsionado pela elevação nos preços médios de produtos como carne bovina, aeronaves e café.
Contudo, é relevante notar que o volume físico transacionado no mês apresentou uma queda de 17,3%.
Diante deste quadro, a Amcham Brasil reforça a urgência de se buscar negociações que visem à redução dessas barreiras comerciais.
A entidade enfatiza a importância de fortalecer o intercâmbio entre as duas economias, visando um reequilíbrio e a retomada de um crescimento sustentável para o comércio bilateral.
A perspectiva futura reside na capacidade de diálogo e na flexibilização de políticas tarifárias para destravar o potencial econômico entre Brasil e Estados Unidos.













