Petrobras refuta temor de dominação no mercado de gás e defende compra de moléculas de terceiros
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, expressou forte discordância em relação à proposta de gas release da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Segundo ela, a iniciativa pode restringir a compra de gás de outros fornecedores pela estatal, o que, por sua vez, comprometeria a viabilidade de grandes projetos de exploração, como os de gás natural em Bacia Sergipe-Alagoas (Seap I) e na Bacia de Campos (Raia).
Em declaração feita durante o evento ROG.e, no Rio de Janeiro, Chambriard enfatizou que a aquisição de gás de parceiros pela Petrobras não visa a prejudicar o mercado, mas sim a viabilizar empreendimentos de bilhões de dólares. “A gente não compra gás à revelia, a gente compra gás quando o vendedor tem interesse de vender”, afirmou a executiva, contrastando a ação da companhia com a percepção de que a Petrobras poderia ser um “bicho-papão” prestes a “acabar com o mercado alheio”.
Ela citou como exemplo a parceria com a estatal colombiana Ecopetrol, onde a garantia de compra do gás pela Petrobras foi fundamental para o avanço do negócio. Chambriard reforçou que essa prática é comum e essencial para o desenvolvimento da indústria de óleo e gás, permitindo que investimentos maciços se concretizem.
O projeto Seap I, localizado na Bacia Sergipe-Alagoas, abrange as concessões BM-SEAL-10 e BM-SEAL-11. Na BM-SEAL-10, a Petrobras detém a totalidade, enquanto na BM-SEAL-11, opera com 60% de participação ao lado da IBV Brasil Petróleo LTDA. Já o Projeto Raia, na Bacia de Campos, tem a Equinor como operadora (35%), dividindo o empreendimento com a Repsol Sinopec Brasil (35%) e a Petrobras (30%).
Procurada pela reportagem, a Equinor ressaltou a importância das discussões em andamento sobre o marco regulatório do mercado de gás natural no Brasil e sua disposição em contribuir para um cenário equilibrado, com novas fontes de gás sendo introduzidas no mercado.
A consulta pública da ANP sobre o *gas release* segue aberta até o dia 28 de setembro, com uma audiência pública prevista para 21 de outubro, marcando um momento crucial para a definição das regras do setor.














