TBG investirá US$ 300 milhões em rede de gás para atender térmicas; aguarda aval da ANP

TBG investirá US$ 300 milhões em rede de gás para atender térmicas; aguarda aval da ANP - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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A TBG planeja um robusto investimento de US$ 300 milhões para expandir sua rede de gás, crucial para o atendimento das novas térmicas do LRCap. Agora, a ANP precisa acelerar o aval.

A Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil S/A (TBG) está em um momento decisivo para o fornecimento de gás natural ao parque térmico do país. A empresa fechou contratos estratégicos com as usinas vencedoras do recente Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCap), que dependerão do gás natural liquefeito (GNL) a ser entregue pelo Terminal Gás Sul (TGS).

Essa nova fase impõe um desafio significativo à infraestrutura existente: a necessidade de um aporte financeiro considerável e de agilidade regulatória. Para garantir o suprimento essencial, a TBG prevê um investimento robusto e aguarda a aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Expansão Estratégica para Novas Demandas

As térmicas contratadas no LRCap adicionarão uma demanda expressiva de 12 milhões de metros cúbicos de gás por dia à rede da TBG, somando-se aos atuais 17 milhões de m³ diários já destinados ao mercado térmico. Para absorver esse volume e assegurar a confiabilidade do sistema, a transportadora estima um investimento de US$ 300 milhões em obras de reforço e expansão, com um prazo de execução de mais de três anos.

O presidente da TBG, Jorge Hijjar, destacou a urgência de uma decisão célere por parte da ANP, enfatizando que o cronograma é apertado para cumprir a meta de operação até 2031, conforme estabelecido no edital do leilão.

“Se a ANP demorar um ano, a gente não consegue acabar para atender ao cumprimento do leilão”, alertou Hijjar, sublinhando a criticidade do tempo.

Readequação da Infraestrutura de Transporte

Os planos de reforço da rede incluem a transferência de estações de compressão que se encontram subutilizadas no trecho Norte da malha para a região Sul. Além disso, a construção de trechos de dutos paralelos será fundamental para otimizar o fluxo do gás natural, permitindo que o insumo chegue do Paraná até as usinas localizadas em São Paulo, onde a demanda é crescente. O trecho Norte, atualmente, opera com cerca de 12 a 15 milhões de m³ de sua capacidade total de 30 milhões de m³, oferecendo uma solução estratégica para a realocação de ativos.

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O Papel do Terminal Gás Sul (TGS)

Um componente chave para o atendimento dessa demanda é a chegada da Unidade Flutuante de Armazenamento e Regaseificação (FSRU) do TGS, prevista para meados de 2027. Este terminal, construído inicialmente pela New Fortress Energy (NFE) — agora Arxen — e inaugurado em 2024, teve sua embarcação retirada temporariamente em 2025 devido a atrasos regulatórios do LRCap. Em 2026, sua operação foi arrendada à J&F, consolidando o TGS como um pilar no abastecimento de GNL.

Panorama Ampliado do Gás Natural no Brasil

O cenário de expansão do gás natural no Brasil foi reforçado pela gerente Executiva da Associação de Empresas de Transporte de Gás Natural por Gasoduto (ATGás), Claudia Sousa. Durante um painel na ROG.e, ela detalhou que, dos 18,9 GW de potência contratada no LRCap, 15 GW correspondem a projetos a gás natural, dos quais 7 GW serão conectados à rede de transporte – 3 GW em novas plantas e 4 GW em unidades já existentes.

Sousa apontou novas perspectivas de demanda, como o Projeto Raia da Equinor, com projeções de 20 milhões de m³/dia a partir de 2029, e o Sergipe Águas Profundas (Seap) da Petrobras, que deve agregar mais 18 milhões de m³/dia a partir de 2031. Além disso, há um potencial de 6,5 milhões de m³/dia de biometano, somado aos terminais de GNL e à crescente demanda por descarbonização e data centers. A executiva concluiu que o Brasil vivencia um cenário de “potencial como não teve nas últimas décadas”, com a rede de transporte atuando como a “espinha dorsal” para conectar a oferta e a demanda.

A concretização desses investimentos na infraestrutura de gás natural é fundamental para a segurança energética do país e para a transição rumo a uma matriz mais limpa e sustentável. A agilidade nos processos regulatórios da ANP e a execução dos projetos da TBG serão determinantes para que o Brasil aproveite plenamente seu potencial no setor de energia.

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