A agência de classificação de risco Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da CEEE-G para o nível de alto risco, refletindo a dependência financeira da geradora em relação à CSN.
A CEEE-G, braço de geração de energia controlado pela Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), enfrentou um corte severo em sua avaliação de crédito. A agência Fitch Ratings reduziu a nota da companhia de BBB-(bra) para CCC+(bra), posicionando-a na zona de grau especulativo.
A decisão vem acompanhada de uma observação negativa, sinalizando que a situação pode se deteriorar ainda mais conforme o cenário da controladora.
O rebaixamento, que engloba também a terceira série de debêntures da empresa, no valor de R$ 1,2 bilhão, é um reflexo direto da saúde financeira da CSN.
Embora, de forma isolada, a CEEE-G apresente indicadores mais sólidos, a forte integração operacional e a falta de autonomia financeira entre a subsidiária e sua controladora acabam por equiparar os riscos, conforme aponta a agência.
Vínculos financeiros e risco de inadimplência
A estrutura de dívida da CEEE-G contém cláusulas de vencimento antecipado que são disparadas por eventos de crédito envolvendo a CSN. Além disso, o fluxo de caixa entre as duas empresas é altamente permeável, com a CSN exercendo controle direto sobre os recursos da geradora.
Em meados de 2026, a CEEE-G acumulava cerca de R$ 605 milhões em empréstimos mútuos com a siderúrgica.
A dependência não é apenas financeira, mas estratégica. Cerca de metade da energia produzida pela CEEE-G é consumida pela própria siderúrgica.
Esse modelo cria uma sinergia operacional relevante, estimada entre 2% a 3% do Ebitda da CSN, mas também torna a geradora vulnerável a oscilações no setor siderúrgico e à própria saúde financeira de sua controladora.
Projeções financeiras e desafios operacionais
Mesmo com a expectativa de aumento no Ebitda entre 2026 e 2027, a Fitch projeta um fluxo de caixa livre negativo acumulado de aproximadamente R$ 350 milhões para este período.
O cenário é pressionado pela necessidade de pesados investimentos, orçados em cerca de R$ 570 milhões, destinados à recuperação de ativos afetados pelas enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 e à modernização de usinas.
Analistas da agência de risco avaliaram:
O perfil de crédito da geradora continua condicionado à qualidade de crédito da CSN, dado o nível de fungibilidade de caixa e a inexistência de políticas que blindem a companhia de interferências da controladora.
O endividamento total da empresa deve permanecer estacionado na casa dos R$ 2,1 bilhões, mantendo uma alavancagem elevada. A concentração de ativos, composta majoritariamente por hidrelétricas situadas no mesmo estado, eleva o risco de exposição a eventos climáticos extremos, um fator que a Fitch monitora com cautela antes de realizar qualquer revisão futura na nota da companhia.
















