A agência de classificação de risco Fitch Ratings cortou drasticamente a nota da CEEE-G, elevando o alerta sobre a probabilidade de inadimplência da geradora de energia controlada pela CSN.
A Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da CEEE-G, empresa de geração de energia sob controle da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de BBB-(bra) para CCC+(bra).
A mudança de patamar, que coloca a geradora na zona de grau especulativo, reflete não apenas o cenário financeiro da companhia, mas a forte dependência de sua controladora, que também enfrenta desafios em sua própria avaliação de risco. A agência manteve a empresa sob observação negativa, sinalizando que novos cortes na classificação podem ocorrer em breve.
Conexão financeira e riscos operacionais
O rebaixamento foi acentuado pela natureza dos vínculos entre a geradora e a siderúrgica. As debêntures da CEEE-G, avaliadas em R$ 1,2 bilhão, contam com cláusulas de vencimento antecipado atreladas a eventos de crédito da CSN. Na prática, isso significa que qualquer oscilação negativa no balanço da controladora impacta diretamente a estabilidade das obrigações da subsidiária.
Além da dívida, a Fitch observou que a movimentação de capital entre as duas empresas é facilitada pela falta de diretrizes formais de segregação financeira. Relatórios indicam que, em junho de 2026, a CEEE-G mantinha R$ 605 milhões em empréstimos tomados junto à CSN.
A concentração na controladora é apontada pela Fitch como uma fragilidade do perfil de negócios da CEEE-G, dada a ausência de políticas formais de gestão financeira individualizada entre as partes.
Desafios de caixa e investimentos
A situação interna da CEEE-G também inspira cautela. A projeção é de um fluxo de caixa livre negativo acumulado em R$ 350 milhões entre 2026 e 2027. Durante esse período, a geradora tem um plano de investimentos robusto, que soma R$ 570 milhões, voltado à modernização e recuperação de ativos — como a usina de Jacuí, severamente impactada pelas inundações que assolaram o Rio Grande do Sul em 2024.
Embora se espere um crescimento no EBITDA nos próximos anos, impulsionado pela maturação dos projetos, o montante ainda parece insuficiente para reverter o cenário de queima de caixa. Com uma dívida total que gira em torno de R$ 2,1 bilhões, a companhia lida com um indicador de alavancagem elevado, que deve levar tempo para ser ajustado.
A empresa possui um portfólio concentrado em ativos hidrelétricos no Sul do país, totalizando 1,1 GW de capacidade instalada. Embora essa estrutura garanta a receita, a exposição a eventos climáticos extremos e a dependência de contratos com a própria CSN — que absorve metade da energia produzida — compõem um cenário de risco elevado para os investidores de longo prazo.
















