A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) movimentou o setor elétrico nesta sexta-feira, 4 de setembro, ao autorizar a retomada de 136,9 MW em geração e encerrar quatro projetos fotovoltaicos.
A Aneel oficializou novas deliberações sobre o parque gerador brasileiro, equilibrando a volta de ativos térmicos e hídricos com o cancelamento de empreendimentos solares no Rio de Janeiro. As decisões refletem tanto a recuperação de infraestruturas afetadas por eventos climáticos extremos quanto ajustes estratégicos frente às oscilações do mercado.
O destaque da retomada operacional concentra-se em Pernambuco, onde a UTE Petrolina teve oito unidades geradoras, totalizando 132 MW, autorizadas a voltar à operação. Gerida pela Companhia Energética de Petrolina, a usina estava em pausa técnica desde o encerramento de seus contratos no ambiente regulado, aguardando o cronograma estabelecido pelo Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap).
Recuperação após eventos climáticos
Além da usina pernambucana, a PCH Furnas do Segredo, situada no Rio Grande do Sul e operada pela Jaguari Energética, também obteve sinal verde para operar seus 4,9 MW. A unidade havia sido forçada a interromper suas atividades no início de 2024, após ser atingida por inundações severas que comprometeram sua casa de força durante o período de cheias no estado gaúcho.
Cancelamento de projetos solares
Em movimento oposto, a agência reguladora atendeu ao pedido da Grussaí Siderúrgica e Geração de Energia do Açu para cancelar quatro usinas fotovoltaicas (UFVs Dunas 1 a 4), totalizando 174,4 MW em São João da Barra (RJ). Segundo a empresa, a desistência foi motivada por desafios operacionais e financeiros.
A inviabilidade dos ativos decorre de fatores alheios ao controle da companhia, notadamente as restrições impostas pelo ONS, que impactam diretamente a rentabilidade, somadas ao atual cenário de sobreoferta no sistema que pressiona os preços do ACL.
A decisão encerra a expectativa para esses projetos solares e evidencia o impacto das limitações de despacho determinadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico sobre novos investimentos. O setor acompanha atentamente se esse movimento de renúncia será replicado por outros agentes que enfrentam restrições de escoamento e a atual volatilidade dos preços de energia no país.
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