Estudo revela alto impacto do El Niño em áreas habitadas da Amazônia
Um levantamento recente aponta que o fenômeno El Niño, em sua última ocorrência em 2024, afetou severamente quase 40% das áreas povoadas na Amazônia. A pesquisa, divulgada pelo Mapbiomas, indica que de um total de 5.673 localidades habitadas, 2.172 experimentaram os efeitos intensos do evento climático.
O El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Pacífico, altera padrões de chuva e eleva temperaturas, resultando em condições de seca e calor mais acentuados na região amazônica. Os pesquisadores analisaram dados de chuva e disponibilidade hídrica para mapear o alcance do impacto.
Consequências da Seca Intensificada
Entre setembro e novembro de 2024, a região amazônica registrou uma redução de 1,9 milhão de hectares na superfície de água em comparação com a média histórica. O volume de chuvas também apresentou um déficit de 27%, enquanto a temperatura máxima média durante o período foi 2,6ºC superior ao histórico.
Bruno Ferreira, pesquisador do Imazon, destaca que essa combinação de menor chuva e temperaturas elevadas intensifica a perda de umidade do solo e causa estresse hídrico na vegetação. Essas condições têm um reflexo direto na vida das populações locais.
O estudo identificou que 93% das localidades analisadas estão a até 5 quilômetros de áreas impactadas pela escassez de água:
A seca também se manifesta na redução dos níveis dos rios, com consequências para o transporte, o acesso à água, a pesca e outras atividades que dependem dos sistemas fluviais.
Além dos efeitos diretos do El Niño, o estudo relembrou que, ao longo de 41 anos, a Amazônia perdeu 3,9 milhões de hectares de vegetação nativa, o que representa uma diminuição de 14% da cobertura verde original.
Esses dados reforçam a vulnerabilidade do bioma e de suas populações a eventos climáticos extremos, especialmente em um cenário de previsões de um “Super El Niño” para o ano corrente. As informações foram compiladas a partir de dados de cobertura e uso da terra do Mapbiomas, dados sobre água e atmosfera, além de informações do IBGE e do Inmet.
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