Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, lidera pela quarta vez a lista dos maiores bilionários do Brasil em 2026. Apesar de uma queda no patrimônio, ele se mantém no topo de um grupo de 255 super-ricos, cuja fortuna totaliza R$ 1,86 trilhão no país.
A cada ano, o cenário da riqueza brasileira se redesenha, e 2026 não foi diferente. A renomada lista dos maiores bilionários do Brasil, divulgada anualmente, revela um panorama dinâmico de fortunas e desafios. No topo, pela quarta vez consecutiva, figura Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, um nome já consolidado no universo da tecnologia global.
Apesar de uma redução em seu patrimônio, Saverin mantém a liderança, em um ano em que o Brasil registrou 255 bilionários, com uma fortuna combinada impressionante de R$ 1,86 trilhão. Este crescimento geral, onde a maioria dos super-ricos viu sua riqueza aumentar, destaca a resiliência e a expansão de diversos setores econômicos no país.
Analisando mais a fundo o ranking, notáveis movimentações foram observadas. Ricardo Faria, da Granja Faria, foi o destaque em ascensão, saltando da 21ª para a 10ª posição com sua fortuna quase dobrando. Por outro lado, Carlos Alberto Sicupira, um dos pilares da 3G Capital, foi o único do top 10 a recuar, caindo da 6ª para a 9ª colocação. No geral, 59,2% dos bilionários ampliaram seu patrimônio, enquanto 30,2% registraram perdas e 10,6% mantiveram-se estáveis.
Metodologia por Trás das Maiores Fortunas Brasileiras
A elaboração da lista Forbes Bilionários Brasileiros segue uma metodologia rigorosa, similar à adotada nos Estados Unidos. O principal pilar para a avaliação das fortunas são as ações listadas em bolsa, com base nas cotações de fechamento de 30 de junho de 2026. Estes dados, públicos e auditados, oferecem uma base sólida para a análise.
É importante ressaltar que a lista considera apenas informações publicamente disponíveis, o que pode levar a uma subestimação dos patrimônios reais. Itens como imóveis, obras de arte, aviões ou embarcações geralmente não são incluídos, a menos que os bilionários concordem em fornecer tais informações. Em casos de parentesco, o patrimônio de irmãos ou familiares pode ser consolidado ou avaliado separadamente, conforme a estrutura familiar e de negócios.
Os Dez Maiores Bilionários do Brasil em 2026
1º Lugar: Eduardo Luiz Saverin (44 anos)
- Posição 2026: 1º
- Posição 2025: 1º
- Patrimônio 2026: R$ 162,9 bilhões
- Patrimônio 2025: R$ 227 bilhões
- Variação: -28,24% (Perdeu)
- Naturalidade: SP
- Empresa: Meta / Facebook
- Setor: Tecnologia
O cenário de aumento da competição entre as empresas de inteligência artificial provocou uma queda de cerca de 16% nas ações da Meta / Facebook nos 12 meses até junho de 2026. Embora isso tenha afetado o patrimônio de Eduardo Saverin, não foi suficiente para tirá-lo da liderança da lista, posição que ocupa desde 2023. Residente em Singapura desde 2012, o discreto Saverin também possui a B Capital, uma empresa de investimentos focada em startups. Em um movimento alinhado com o crescente interesse em soluções sustentáveis, a B Capital anunciou em julho de 2026 a criação do fundo de venture capital Ascent Fund III, que captou US$ 500 milhões para investir em startups de inteligência artificial com ênfase em saúde e, notavelmente, energia na América do Norte e Ásia, um setor chave para o futuro sustentável.
2º Lugar: Vicky Sarfati Safra e família (74 anos)
- Posição 2026: 2º
- Posição 2025: 2º
- Patrimônio 2026: R$ 130,6 bilhões
- Patrimônio 2025: R$ 120,5 bilhões
- Variação: +8,38% (Ganhou)
- Naturalidade: Grécia / Brasil
- Empresa: Banco Safra
- Setor: Finanças
Viúva do influente banqueiro Joseph Safra, falecido em dezembro de 2020, Vicky Sarfati Safra herdou aproximadamente metade da vasta fortuna do empresário, que por muitos anos foi reconhecido como o banqueiro mais rico do mundo. Seus filhos – Jacob, Esther, Alberto e David – são os demais herdeiros. No início de 2025, Jacob e David adquiriram a participação de Esther no Banco Safra. Alberto já havia se desvinculado do grupo em 2019 para fundar sua própria gestora, a ASA. Nascida na Grécia antes de sua família se estabelecer no Brasil, Vicky lidera a Vicky and Joseph Safra Philanthropic Foundation, uma entidade dedicada a patrocinar iniciativas nas áreas de saúde, educação e artes.
3º Lugar: Jorge Paulo Lemann e família (86 anos)
- Posição 2026: 3º
- Posição 2025: 3º
- Patrimônio 2026: R$ 103,5 bilhões
- Patrimônio 2025: R$ 88 bilhões
- Variação: +17,61% (Ganhou)
- Naturalidade: RJ
- Empresa: AB InBev / 3G Capital
- Setor: Bebidas / Investimentos
O lendário empresário Jorge Paulo Lemann manteve sua sólida terceira posição entre os bilionários brasileiros na edição de 2026. Ele é um dos principais acionistas controladores da gigante cervejeira AB InBev, além de possuir participações significativas em conglomerados internacionais, como a Restaurant Brands International (que engloba marcas como Burger King e Tim Hortons). No Brasil, seu vasto império inclui a São Carlos Empreendimentos, que conta com a participação de seus filhos e dos herdeiros de seus parceiros de longa data, Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira. Após um período de três anos sem grandes aquisições, a 3G Capital, em maio de 2025, realizou a compra da empresa americana de tênis Skechers por cerca de US$ 9,4 bilhões.
4º Lugar: André Santos Esteves (58 anos)
- Posição 2026: 4º
- Posição 2025: 4º
- Patrimônio 2026: R$ 66,1 bilhões
- Patrimônio 2025: R$ 51 bilhões
- Variação: +29,61% (Ganhou)
- Naturalidade: RJ
- Empresa: BTG Pactual
- Setor: Finanças
O BTG Pactual, sob a liderança de André Santos Esteves, principal acionista individual, alcançou um lucro líquido ajustado recorde de R$ 15,9 bilhões em 2025, representando um aumento expressivo de 34,7% em relação ao ano anterior. A valorização de 33% nas ações do banco nos 12 meses até 30 de junho impulsionou significativamente a fortuna de Esteves. Sua trajetória no mercado financeiro começou em 1989, quando, ainda estudante de ciência da computação e matemática na UFRJ, foi contratado como analista de sistemas do Banco Pactual. Apenas quatro anos depois, ele se tornou sócio e, em 2005, aos 37 anos, ingressou no seleto rol de bilionários, onde permanece desde então.
5º Lugar: Fernando Roberto Moreira Salles (80 anos)
- Posição 2026: 5º
- Posição 2025: 5º
- Patrimônio 2026: R$ 50,3 bilhões
- Patrimônio 2025: R$ 40,2 bilhões
- Variação: +25,12% (Ganhou)
- Naturalidade: RJ
- Empresa: Itaú Unibanco / CBMM
- Setor: Finanças / Mineração
Primogênito do renomado banqueiro Walther Moreira Salles (1912-2001), Fernando Roberto Moreira Salles é um dos acionistas majoritários do Itaú Unibanco, com sua participação mantida através da Companhia E. Johnston de Participações. Entre os diversos empreendimentos da família, destaca-se a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), que é líder mundial na produção de nióbio. Em 2022, em um processo de reestruturação familiar e de negócios, Fernando adquiriu parte da participação de seus irmãos Walther Júnior e João, que possuem maior inclinação para atividades culturais, e passou a deter 50% de participação na empresa. A EJ possui cerca de 33% das ações do Itaú.
6º Lugar: Pedro Moreira Salles (66 anos)
- Posição 2026: 6º
- Posição 2025: 7º
- Patrimônio 2026: R$ 46,6 bilhões
- Patrimônio 2025: R$ 38 bilhões
- Variação: +22,63% (Ganhou)
- Naturalidade: RJ
- Empresa: Itaú Unibanco / CBMM
- Setor: Finanças / Mineração
Terceiro filho do influente banqueiro Walther Moreira Salles, Pedro Moreira Salles, assim como seus irmãos Fernando, Walther Júnior e João, é um dos principais acionistas do Itaú Unibanco por meio da Companhia E. Johnston de Participações. A família também detém o controle da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), líder global na produção de nióbio. Em 2022, durante um processo de reestruturação acionária, Pedro aumentou sua participação para 44% na EJ, enquanto seu filho ficou com 6%. A EJ detém aproximadamente 33% das ações do Itaú Unibanco. Atualmente, Pedro atua como copresidente do conselho de administração do Itaú Unibanco. Em fevereiro de 2026, ele anunciou sua saída da presidência do conselho da Alpargatas para assumir um posto como professor adjunto na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, onde passará a residir. O cargo foi, então, transferido para João Moreira Salles, filho de Pedro.
7º Lugar: Max Van Hoegaerden Herrmann Telles (30 anos)
- Posição 2026: 7º
- Posição 2025: 11º
- Patrimônio 2026: R$ 38,8 bilhões
- Patrimônio 2025: R$ 29,3 bilhões
- Variação: +32,42% (Ganhou)
- Naturalidade: SP
- Empresa: AB InBev / 3G Capital
- Setor: Investimentos
Filho caçula do renomado bilionário Marcel Herrmann Telles, Max Van Hoegaerden Herrmann Telles vem assumindo a crescente participação de seu pai na AB InBev, a maior cervejaria do mundo e controladora da Ambev, além de outras participações relevantes. O discreto Max, que fez sua entrada na lista dos super-ricos em 2024, nasceu em São Paulo em novembro de 1995 e reside em Nova York. Ele já foi beneficiado por outras doações do pai, incluindo participação na São Carlos Empreendimentos, consolidando seu lugar entre os grandes investidores.
8º Lugar: Miguel Gellert Krigsner (76 anos)
- Posição 2026: 8º
- Posição 2025: 8º
- Patrimônio 2026: R$ 35,7 bilhões
- Patrimônio 2025: R$ 34,2 bilhões
- Variação: +4,39% (Ganhou)
- Naturalidade: Bolívia / Brasil
- Empresa: O Boticário
- Setor: Cosméticos
Nascido em La Paz, na Bolívia, de pais judeus que fugiam do nazismo, Miguel Gellert Krigsner mudou-se para Curitiba aos 11 anos. Formou-se em farmácia e bioquímica pela UFPR em 1975 e, dois anos depois, fundou uma farmácia de manipulação que se tornaria o gigantesco império O Boticário. Krigsner foi um pioneiro no modelo de franquias no Brasil. Atualmente, o grupo controla marcas de sucesso como Eudora, Quem Disse, Berenice?, Beautybox, Vult e O.U.i. Ao lado de seu cunhado e sócio Artur Grynbaum, ele também investiu na Cia. Tradicional de Comércio, que detém famosas redes de bares e restaurantes em São Paulo, como Pirajá, Lanchonete da Cidade e Bráz Pizzaria. Em 2025, O Boticário registrou um faturamento recorde de R$ 38,1 bilhões em vendas ao consumidor.
9º Lugar: Carlos Alberto da Veiga Sicupira e família (78 anos)
- Posição 2026: 9º
- Posição 2025: 6º
- Patrimônio 2026: R$ 35,4 bilhões
- Patrimônio 2025: R$ 39,1 bilhões
- Variação: -9,46% (Perdeu)
- Naturalidade: RJ
- Empresa: AB InBev / 3G Capital
- Setor: Bebidas / Investimentos
Um dos fundadores da influente 3G Capital, Carlos Alberto da Veiga Sicupira tem enfrentado um período desafiador para as operações da companhia. A empresa foi impactada pela crise da Americanas no início de 2023. Contudo, a significativa participação da 3G Capital na AB InBev continua a ser um pilar de sustentação para o patrimônio de seus sócios. Após a venda de sua participação na Kraft Heinz, a empresa de investimentos permaneceu sem grandes aquisições até o início de 2025, quando concretizou a compra da empresa de calçados Skechers, demonstrando sua capacidade de adaptação e reinvenção no mercado global.
10º Lugar: Ricardo Castellar de Faria (51 anos)
- Posição 2026: 10º
- Posição 2025: 21º
- Patrimônio 2026: R$ 35,1 bilhões
- Patrimônio 2025: R$ 19,6 bilhões
- Variação: +79,08% (Ganhou)
- Naturalidade: RJ
- Empresa: Granja Faria
- Setor: Alimentos
Engenheiro agrônomo formado pela UFRGS, o carioca Ricardo Castellar de Faria é o visionário fundador e presidente do conselho da Granja Faria, da Insolo e da RCF Capital, além de presidir a Associação Catarinense de Avicultura. Fundada em 2006, a Granja Faria consolidou-se como a maior produtora de ovos comerciais, ovos férteis e pintos de um dia no Brasil, empregando 2.700 funcionários em 34 unidades e fornecendo impressionantes 16 milhões de ovos diariamente. Em um movimento estratégico de expansão global, Faria adquiriu a americana Hillandale Farms por US$ 1,1 bilhão em 2024 e, em 2025, comprou o Grupo Hevo, da Espanha. Em março de 2026, a gestora Warburg Pincus adquiriu uma participação na Global Eggs, elevando o valuation da empresa para US$ 40 bilhões e solidificando a presença de Faria no mercado de alimentos mundial.
O Dinamismo da Riqueza e o Futuro dos Investimentos Brasileiros
A lista dos maiores bilionários do Brasil em 2026 não apenas revela os nomes no topo da riqueza nacional, mas também oferece um retrato valioso do dinamismo do mercado brasileiro e global. A constante ascensão de setores como tecnologia e agronegócio, e a persistência de gigantes financeiros e de bebidas, demonstram a diversidade das fontes de fortuna.
O foco de Eduardo Saverin em startups de inteligência artificial e energia, por exemplo, sinaliza as áreas de investimento que prometem moldar o futuro. Para o público interessado em energia limpa e sustentável, a menção a fundos que apoiam o setor energético inovador é um indicativo claro de que a sustentabilidade está cada vez mais integrada às estratégias dos grandes investidores. As flutuações de patrimônio e as movimentações no ranking reforçam que a riqueza é um capital vivo, sujeito a inovações, crises e grandes apostas que continuarão a redefinir o cenário econômico do Brasil nos próximos anos.
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