A transportadora gaúcha Reiter Log acelera sua descarbonização com a construção de infraestrutura própria e a expansão de uma frota que deve alcançar 600 caminhões a biometano e gás até o fim do ano.
A transição energética no setor de logística brasileiro ganha um novo capítulo com a estratégia agressiva da Reiter Log. Até o encerramento deste ano, a companhia elevará para 600 unidades — mais da metade de sua frota total de 1.100 veículos — o número de caminhões movidos a combustíveis alternativos ao diesel.
Este movimento faz parte de um compromisso assumido em 2021, que estabelece a meta de eliminar o uso de combustíveis fósseis nas operações da empresa até 2035.
O foco central da transportadora recai sobre o biometano, um combustível de baixo impacto ambiental extraído de resíduos orgânicos. Embora a empresa integre veículos elétricos para percursos urbanos de curta distância, a grande escala do frete rodoviário nacional, que responde por cerca de 60% do transporte de cargas no Brasil, exige uma solução robusta e de longo alcance, tornando o gás renovável a principal aposta para substituir o diesel de forma viável.
Autonomia e infraestrutura como diferencial estratégico
Um dos maiores entraves para a adoção de frotas limpas no país é a escassez de pontos de abastecimento nas estradas. Para mitigar esse problema, a Reiter Log investiu R$ 100 milhões na construção de sua própria rede.
Atualmente, a empresa mantém nove postos estratégicos distribuídos entre Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo, garantindo o suporte necessário para o consumo mensal de três milhões de metros cúbicos de biometano.
A expansão dessa rede é constante, com uma nova unidade prevista para São Paulo até dezembro e projetos de expansão para Santa Catarina e a região Centro-Oeste. Além da compra de combustível de parceiros como a Copersucar, a empresa dará um passo importante em 2027: a operação de sua própria usina de biometano em Capão do Leão (RS).
Fruto de uma joint venture com a Geo Biogás & Carbon, o projeto demandará R$ 120 milhões e utilizará resíduos agrícolas do próprio grupo para gerar combustível e biofertilizantes.
Vinicius Reiter Pilz, presidente da Reiter Log, afirmou:
“Por isso a gente acredita muito que o biometano é o combustível do futuro no Brasil, porque nós vivemos muito de agro.”
Desafios da descarbonização e o papel do GNV
A transição para o biometano é feita, muitas vezes, através de uma ponte tecnológica utilizando o GNV (gás natural veicular). Embora o GNV seja um combustível fóssil, ele permite a operação de caminhões que, futuramente, serão abastecidos com o biogás renovável.
Segundo a Scania, fabricante dos 220 novos caminhões encomendados pela transportadora, o custo de aquisição desses veículos já se tornou mais competitivo, reduzindo a diferença de preço em relação aos modelos a diesel.
Apesar dos benefícios, o setor ainda lida com a falta de padronização nas rotas e o custo operacional total. Contudo, a demanda por sustentabilidade tem impulsionado novos modelos de negócio. Grandes marcas dos segmentos de higiene e beleza, como L’Oréal, Natura e Boticário, já buscam os chamados “contratos verdes” com a Reiter Log.
Esses acordos, que podem apresentar um custo de 10% a 20% acima dos contratos convencionais, são vistos por essas indústrias como uma estratégia essencial para o abatimento das emissões de escopo 3, alinhando a logística aos seus compromissos globais de ESG.
O horizonte da empresa é promissor, com a expectativa de que o mercado de créditos de carbono, impulsionado pelo Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), proporcione novas receitas a partir de 2031. Até lá, a Reiter Log segue consolidando sua posição como uma das lideranças brasileiras na transformação do transporte rodoviário, provando que a viabilidade econômica e a responsabilidade ambiental podem caminhar juntas na infraestrutura brasileira.






















