O Ministério Público do Pará instaurou inquérito para avaliar os riscos ambientais e sociais do novo data center da Elea, voltado para inteligência artificial em Belém.
O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) iniciou uma investigação rigorosa sobre a instalação de um novo centro de dados na capital paraense. O projeto, liderado pela empresa Elea em parceria estratégica com a Axia Energia, promete ser o primeiro do Norte do Brasil focado em inteligência artificial. Com um investimento estimado em R$ 250 milhões, a infraestrutura prevê uma capacidade energética robusta, partindo de 7,5 MW com potencial de expansão para 100 MW.
A atenção do órgão fiscalizador voltou-se para a localização do empreendimento, próximo à subestação de alta tensão Miramar. A preocupação central reside nos potenciais reflexos negativos para a região de Barcarena, especialmente para as comunidades ribeirinhas e tradicionais que habitam as ilhas das Onças e Arapiranga, situadas nas proximidades da Baía do Guajará.
Preocupações com o impacto ambiental e social
A 1ª Promotoria de Justiça de Barcarena busca esclarecimentos sobre a realização de estudos de impacto e a efetividade das consultas públicas obrigatórias. O MPPA argumenta que grandes estruturas desse tipo podem gerar alterações climáticas locais, incluindo a formação de ilhas de calor — com registros globais que indicam aumentos de até 9°C na temperatura do entorno — além do alto consumo de recursos hídricos e poluição sonora persistente.
Comunidades tradicionais residentes nas ilhas próximas, ribeirinhos e pescadores, já vulnerabilizados economicamente por condições históricas, estarão suscetíveis a impactos negativos decorrentes das atividades do empreendimento.
Márcio Maués, Promotor de Justiça, reforçou o alerta sobre os impactos socioambientais na região.
Posicionamento da empresa e tecnologia de refrigeração
Em nota, a Elea declarou que ainda não foi notificada formalmente pelo órgão ministerial. A companhia enfatizou que o projeto BEL1 foi desenhado sob rígidos padrões de sustentabilidade e conformidade legal. Sobre a inquietação quanto ao uso de água, a empresa esclareceu que utilizará a tecnologia de refrigeração por expansão direta (DX), um sistema industrial que opera sem a necessidade de recursos hídricos para o resfriamento dos servidores.
O inquérito civil segue em andamento para verificar se o processo de licenciamento está em total conformidade com as normas vigentes. O desfecho dessa investigação é fundamental para a viabilidade do projeto, servindo como um termômetro para futuros investimentos em tecnologia sustentável na região, garantindo que o avanço da transformação digital ocorra sem comprometer o bem-estar das populações locais.






















