A Pacto Energia encerrou o desenvolvimento de 4,34 GW em projetos solares. A empresa citou a falta de capacidade na rede de transmissão como o principal fator impeditivo.
A transição energética brasileira enfrenta um novo obstáculo logístico. A Pacto Energia Geração e Transmissão confirmou a desistência de um portfólio massivo de usinas fotovoltaicas, totalizando 4,34 GW em capacidade instalada que não sairão do papel. A decisão reflete o estrangulamento da infraestrutura elétrica frente ao rápido crescimento das fontes renováveis no país.
A movimentação mais recente envolveu a aprovação, pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), da revogação de outorgas para projetos que somam 1.562,52 MW. As unidades, batizadas como Solaris, seriam instaladas nos municípios mineiros de Arinos e Varzelândia, regiões estratégicas que hoje esbarram na saturação técnica do sistema.
O gargalo do escoamento
O desinvestimento não é isolado. Somado a processos anteriores, o volume total de projetos cancelados pela companhia atinge cifras expressivas, abrangendo ativos espalhados por estados como Piauí, Paraná, São Paulo, Ceará, Maranhão e Goiás. Em todos os casos, o diagnóstico apresentado pela empresa à agência reguladora é o mesmo: a rede não comporta o volume de energia gerado.
Segundo a Pacto Energia, os estudos de acesso ao Sistema Interligado Nacional (SIN) indicaram a necessidade de obras de reforço estrutural de elevada complexidade. O custo e o tempo de execução dessas intervenções inviabilizaram a rentabilidade dos empreendimentos, forçando a empresa a abrir mão das outorgas.
“A indisponibilidade de margem para escoamento e a saturação da infraestrutura de transmissão tornam os projetos economicamente inviáveis, além de evitarmos reter capacidade na rede que não será utilizada”, pontuou a companhia em justificativa oficial enviada à Aneel.
Impacto para o setor de energia limpa
A desistência em massa acende um alerta sobre o planejamento do sistema elétrico nacional. Embora o interesse por fontes renováveis continue alto, a velocidade de liberação das licenças nem sempre acompanha a robustez necessária para as linhas de transmissão.
A atitude da Pacto Energia, ao devolver as outorgas, busca também desobstruir o sistema, liberando a capacidade de rede para outros agentes ou futuras expansões. Contudo, o episódio destaca a urgência de investimentos em transmissão para que o Brasil possa efetivamente escoar a energia limpa produzida em suas vastas regiões solares e eólicas, evitando que novos projetos sejam interrompidos por gargalos técnicos previsíveis.























