ONS recorre a plano emergencial de corte de energia com geração farta.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) acionou, pela segunda vez neste ano, o Plano de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição. A medida, tomada em um domingo de agosto, foi motivada pela coincidência de baixo consumo com uma produção expressiva de micro e minigeração distribuída (MMGD).
O protocolo de intervenção, que visa gerenciar o excesso de energia, foi aplicado em usinas conectadas às redes de distribuição entre 11h e 13h30. Esta é a segunda vez que o plano é utilizado em 2026, sendo a primeira em 7 de junho, quando restrições na geração atingiram quase 2 GW médios.
Medidas prévias insuficientes
Antes de ativar o plano de corte em usinas distribuídas, o ONS já havia implementado restrições na geração de fontes centralizadas. Programações indicaram cortes médios de cerca de 20.264 MW na geração eólica e solar do Sistema Interligado Nacional (SIN), com picos de até 29.891 MW às 11h.
O plano emergencial é acionado quando essas medidas iniciais não são suficientes para equilibrar a oferta e a demanda. O ONS então estabelece limites para a produção de usinas do Tipo III, aquelas conectadas às redes de distribuição e que não são despachadas centralmente pelo operador.
A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) confirmou a execução das determinações, mas reiterou o pedido por maior detalhamento nos procedimentos de corte. A entidade enfatiza a necessidade de critérios claros e robustos para evitar insegurança jurídica e reforça a importância de políticas públicas que abordem o excesso de geração renovável.
Histórico recente de intervenções
O sistema elétrico já dava sinais de sobrecarga em semanas anteriores. No início de agosto, o ONS chegou a considerar a aplicação do plano, mas recuou após reavaliar a previsão de carga e a disponibilidade de outros recursos.
Em outra ocasião, em 9 de agosto, o equilíbrio do sistema exigiu a redução de aproximadamente 22 GW em usinas eólicas e solares, com concentração de cortes no Nordeste e no Sudeste/Centro-Oeste.
A estratégia do ONS segue uma ordem: prioriza a redução de fontes sob seu controle direto (hídricas, termelétricas, eólicas e solares centralizadas). Somente em caso de insuficiência, o plano atinge as usinas conectadas à rede de distribuição.
A expansão da MMGD, como os sistemas solares em telhados, embora benéfica em termos de energia limpa, contribui para a redução da carga líquida observada pelo ONS. Isso força a retirada de outras fontes do sistema em horários de pico de geração distribuída e baixa demanda, impactando a disponibilidade de recursos essenciais para a estabilidade do SIN, como controle de frequência e tensão.
O plano de gestão de excedentes foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em novembro de 2025, como resposta aos desafios crescentes impostos pela geração distribuída e pelos períodos de oferta de energia superior à capacidade de absorção do sistema.






















