O senador Flávio Bolsonaro coloca em xeque a recente ampliação do teor de etanol na gasolina, prometendo revisar a mistura de 32% caso alcance a presidência nas eleições.
O debate sobre a política de combustíveis no Brasil ganhou um novo capítulo com o posicionamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em recente transmissão ao vivo, o parlamentar sinalizou a intenção de rever a mistura obrigatória de etanol na gasolina.
Essa medida foi elevada de 30% para 32% (E32) pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em julho deste ano.
A declaração responde a uma crescente pressão de motoristas e entidades do setor automotivo, que questionam a viabilidade técnica da medida.
O aumento do teor do biocombustível, implementado de forma provisória, tem gerado preocupações quanto à durabilidade dos componentes internos de motores de veículos leves e motocicletas, especialmente pela falta de testes exaustivos de longo prazo antes da vigência da norma.
Questionamentos sobre a política de combustíveis
A insatisfação com a mudança não se limita ao funcionamento mecânico dos automóveis.
Há uma parcela do legislativo que busca reverter a decisão por via parlamentar, como é o caso da deputada Bia Kicis (PL-DF), que encabeça um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) com o objetivo de suspender o aumento.
O impacto no bolso do consumidor também é uma variável constante na discussão, visto que muitos cidadãos associam a alteração a perdas de rendimento e à manutenção do custo elevado nos postos.
Flávio Bolsonaro afirmou ao ser questionado por um espectador sobre os possíveis prejuízos causados pela nova dosagem de etanol:
É verdade, é uma coisa que a gente vai ter que discutir aí.
Comparativo e o futuro do setor sucroenergético
Para ilustrar sua crítica, o senador utilizou uma analogia inusitada, comparando o acréscimo de etanol ao fenômeno da “reduflação”, onde produtos encolhem em tamanho ou qualidade enquanto o preço ao consumidor permanece estável ou em alta.
A estratégia de Flávio Bolsonaro busca alinhar seu discurso aos interesses de usuários que se sentem lesados pela mudança na composição da gasolina comum.
Impactos da Lei do Combustível do Futuro
A medida do E32 é um desdobramento da Lei do Combustível do Futuro, sancionada em outubro de 2024, que estabeleceu um cronograma gradual de transição energética.
Embora o objetivo governamental seja fomentar a indústria sucroenergética e reduzir a pegada de carbono, o candidato do PL argumenta que existem alternativas mais eficientes para alavancar o setor sem impactar diretamente o desempenho dos veículos dos brasileiros.
A possibilidade de revisão dessa política aponta para um cenário de incerteza para o mercado de biocombustíveis e para a indústria automobilística nos próximos meses.
Caso o tema permaneça em evidência na campanha, a tensão entre metas ambientais e viabilidade técnica dos motores deve continuar a pautar as discussões sobre a matriz de transportes e a sustentabilidade energética do país.
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