A Copel defende que o Brasil foque em leilões neutros para armazenamento de energia, visando otimizar custos e evitar que investimentos em baterias onerem excessivamente os consumidores finais.
A busca por maior flexibilidade no setor elétrico brasileiro tem colocado o tema do armazenamento de energia no centro das discussões estratégicas. Recentemente, a Copel trouxe um alerta importante sobre o modelo de contratação dessa tecnologia no país. A empresa defende a realização de leilões abertos para soluções de armazenamento, em vez de certames específicos apenas para baterias, visando garantir maior competitividade e eficiência econômica para o sistema nacional.
O diretor de estratégia, novos negócios e transformação digital da companhia, Diogo Mac Cord, aponta que a transição energética deve ser equilibrada. O executivo ressalta que, embora o armazenamento seja vital para lidar com o fenômeno do curtailment — o corte de geração renovável por excesso de oferta —, o custo das baterias de íons de lítio ainda é um desafio significativo que precisa ser analisado com cautela para evitar sobrecargas financeiras.
Equilíbrio entre custos e benefícios
Um dos principais pontos de atenção levantados pela Copel é a viabilidade financeira das baterias em comparação direta com os problemas que elas se propõem a resolver. Segundo Diogo Mac Cord, a matemática por trás desses ativos precisa ser muito clara para não criar encargos indevidos aos usuários.
A proporção é de um para cinco ou seis. Então, para cada bilhão de ‘curtailment’ que a bateria reduz, ela custa cinco vezes a mais. Essa é a conta. Então, se você aloca isso exclusivamente ao renovável, ele está, no final das contas, pagando por um benefício, ou pagando cinco vezes o benefício que ele está percebendo
O executivo argumenta que a estratégia de contratação deve identificar quem realmente extrai valor dos serviços de armazenamento. A ideia é que o custo seja diluído de maneira justa, considerando não apenas a redução de desperdício na geração renovável, mas também ganhos como a maior confiabilidade da rede e a prestação de serviços ancilares.
Tecnologias além das baterias
Ao propor leilões de armazenamento de forma agnóstica em relação à tecnologia, a Copel abre espaço para inovações e soluções consagradas de infraestrutura. Diogo Mac Cord sugere que, ao invés de limitar o mercado às baterias eletroquímicas, o país deveria permitir que alternativas como as hidrelétricas reversíveis compitam por contratos.
Essas usinas operam como grandes baterias naturais, utilizando o bombeamento de água entre reservatórios para estocar energia e disponibilizá-la no momento exato do pico de consumo. A inclusão dessa modalidade poderia equilibrar o preço final do leilão, oferecendo uma escala robusta que, muitas vezes, as baterias convencionais ainda não atingem de forma isolada.
O cenário futuro para a matriz elétrica brasileira, portanto, deve ser pautado pela diversidade tecnológica. O foco, segundo a visão apresentada, é evitar “choques de oferta” que acabem se transformando em tarifas elevadas, priorizando a segurança energética e a sustentabilidade econômica a longo prazo.





















