BTG Pactual assume controle de usinas solares da Thopen após execução de garantias.
O setor de energia limpa testemunha uma mudança significativa com a aprovação, pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), da consolidação da propriedade de três usinas solares da Thopen Energia nas mãos do BTG Pactual. A operação marca o avanço do banco na área de energia solar distribuída.
A decisão do Cade, formalizada nesta quarta-feira, 19 de agosto, permite que o BTG Pactual assuma 100% das ações das sociedades de propósito específico envolvidas. Essa medida surge em um cenário delicado para a Thopen Energia, que recentemente solicitou recuperação judicial à Justiça do Rio de Janeiro, apresentando um passivo total de mais de R$ 4,5 bilhões.
Execução de Garantias e Consolidação de Ativos
A transferência de controle se dará pela execução de garantias vinculadas a cartas de fiança emitidas pelo próprio BTG Pactual. Tais garantias asseguram o cumprimento das obrigações das empresas em questão perante seus credores.
As usinas em questão são a Solargold Espírito Santo SPE, a Usina Solar Thopen 18 SPE e a Usina Solar Thopen 19 SPE. Todas operam no segmento de geração de energia solar distribuída e seus ativos estão localizados em Linhares (ES) e Teresina (PI).
O BTG Pactual já possui presença no setor de geração distribuída, com as usinas Três Pontas I e II em Minas Gerais. A nova aquisição reforça sua estratégia de expansão nesta modalidade de energia renovável.
O Caminho da Thopen Rumo à Recuperação Judicial
A Thopen Energia, anteriormente conhecida como RZK Energia, é controlada pelo grupo Pontal Energy, que por sua vez tem a Denham Capital como acionista majoritário. A empresa atua em diversas frentes, incluindo o mercado livre de energia, micro e minigeração distribuída por assinatura e serviços de gestão energética.
O pedido de recuperação judicial foi protocolado em 7 de agosto, após a conversão de uma tutela cautelar obtida em julho para facilitar negociações com credores. No entanto, a solicitação ainda aguarda deferimento judicial.
Enquanto o pedido é avaliado, a proteção concedida em 23 de julho permanece em vigor. Esta medida suspende, por 60 dias, ações, execuções e outras cobranças relacionadas aos créditos abrangidos pela cautelar.
Disputas e Arbitragem no Contexto da Recuperação
A situação da Thopen é ainda mais complexa devido a disputas com seus antigos controladores. Estes, apesar de terem deixado o controle acionário após a aquisição pela Pontal Energy, mantêm participação minoritária e contestam o pedido de recuperação judicial. Em paralelo, a Pontal moveu um processo de arbitragem contra os acionistas minoritários, buscando o ressarcimento de perdas estimadas inicialmente em R$ 300 milhões.
A decisão do Cade representa um passo concreto na reorganização do cenário energético, com o BTG Pactual fortalecendo sua posição. Contudo, a resolução das complexas disputas internas e financeiras da Thopen Energia continuará sendo um ponto de atenção para o mercado nos próximos meses.























