A Pacto Energia descontinuou quase 2,8 GW em projetos fotovoltaicos após identificar saturação na rede de transmissão, evidenciando os desafios logísticos da expansão da energia solar no país.
A Pacto Energia formalizou junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o encerramento de um volume expressivo de sua capacidade projetada. Ao todo, 1.833,97 MW em registros de requerimento de outorga (DRO) foram cancelados, somando-se a outros pedidos recentes que totalizam 2.778,95 MW de potência que não sairão do papel, dentro do escopo do projeto Solaris.
O movimento reflete um obstáculo crítico no setor de energias renováveis: a capacidade limitada de escoamento. Após análises detalhadas sobre o acesso ao sistema, a companhia concluiu que a infraestrutura de transmissão instalada nas regiões dos projetos está sobrecarregada, tornando inviável o investimento necessário para viabilizar a conexão.
Desafios estruturais no Piauí
As usinas que seriam instaladas nos municípios de Campo Maior, São João do Piauí e Nova Santa Rita, no estado do Piauí, enfrentaram o impasse técnico. A necessidade de obras de reforço de grande escala, com custos proibitivos e prazos incompatíveis com o cronograma, forçou a empresa a desistir das outorgas.
A decisão pela descontinuidade voluntária visa evitar a retenção de capacidade na rede de transmissão que, tecnicamente, não poderá ser utilizada para o escoamento da energia, permitindo uma gestão mais eficiente do sistema elétrico nacional.
Cenário de mercado e novas outorgas
Enquanto grandes complexos enfrentam gargalos de infraestrutura, o setor mantém sua dinâmica de pequenas e médias operações. Em paralelo aos cancelamentos, a Aneel concedeu o registro para a UFV Alcast, no Paraná, com 9 MW. Esse cenário ilustra a seletividade de investimentos em um mercado que busca equilíbrio entre a oferta e a capacidade de entrega do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
A transição energética brasileira segue em ritmo acelerado, mas a saturação da rede de transmissão emerge como um limitador relevante para o crescimento da energia solar em larga escala. O esvaziamento desses DROs abre espaço para uma análise mais rigorosa sobre a viabilidade de futuros projetos que dependem de expansões na rede de alta tensão, um fator determinante para a atratividade do setor nos próximos anos.
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