Petrobras avança em projeto pioneiro de captura e armazenamento de carbono com contrato para perfuração de poços.
Um passo significativo foi dado pela Petrobras no desenvolvimento de soluções para a mitigação das mudanças climáticas. A companhia firmou um acordo com a Halliburton Produtos para a perfuração e completação de quatro poços terrestres, essenciais para a infraestrutura do projeto piloto de Captura e Armazenamento de Carbono (CCS) São Tomé. A iniciativa, localizada em Quissamã, no norte do Rio de Janeiro, visa capturar, transportar e estocar dióxido de carbono (CO₂) em formações geológicas profundas.
Este contrato marca um avanço estratégico para a Petrobras em sua meta de aprimorar e validar tecnologias de CCS. O objetivo central do projeto piloto é testar e comprovar a eficácia de métodos e equipamentos em toda a cadeia de captura e armazenamento de carbono. O plano é ambicioso: capturar até 100 mil toneladas de CO₂ anualmente durante um período de três anos.
Infraestrutura e Operação do CCS São Tomé
A estrutura do projeto inclui um poço injetor vertical e três poços direcionais destinados ao monitoramento. A expectativa é que a perfuração, a completação dos poços e a instalação de toda a infraestrutura necessária sejam concluídas até 2028. A fase operacional do piloto, com injeção de CO₂ por três anos e subsequente monitoramento dos reservatórios pelos três anos seguintes, está programada para iniciar em 2029.
O CCS São Tomé se destaca por ser o primeiro projeto-piloto no Brasil a integrar o transporte de CO₂ por dutos com o armazenamento seguro em reservatório salino. Essa abordagem inovadora é parte dos esforços de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da Petrobras, com potencial para impulsionar a criação de um marco regulatório robusto para o armazenamento geológico de carbono no país.
Validação e Tecnologias de Ponta
A iniciativa permitirá que órgãos reguladores, como a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e o Instituto Estadual do Ambiente (INEA), acompanhem e validem, em um cenário real, os procedimentos e normas aplicados à cadeia de valor do CCS. As tecnologias a serem testadas incluem um revestimento de fibra óptica para monitoramento em tempo real da pluma de CO₂, um sistema avançado de coleta de amostras que dispensa intervenções no poço, materiais de alta resistência ao CO₂ e revestimento de fibra de vidro nos poços de monitoramento para registros de dados com ressonância magnética nuclear.
No início deste ano, a ANP aprovou um investimento de R$ 366 milhões pela Petrobras em centros de pesquisa renomados, como o Lenep da UENF, o Observatório Nacional, a UFRJ, a UFF e o IFSC/USP. Essas colaborações científicas são cruciais para o plano de monitoramento do projeto piloto, que a Petrobras descreve como um “aspirador” capaz de reter CO₂ de fontes industriais antes que ele atinja a atmosfera, armazenando-o permanentemente no subsolo. Essa tecnologia promete ser uma ferramenta vital na contenção do aquecimento global.
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