A Raízen dá passos definitivos para dividir suas operações em duas companhias independentes após sanear um passivo de R$ 65 bilhões, visando maior eficiência e foco estratégico no mercado.
A Raízen está em fase avançada de reestruturação corporativa, consolidando o caminho para segregar suas frentes de atuação: a distribuição de combustíveis e a unidade sucroenergética. Com o sinal verde judicial para a gestão de R$ 65 bilhões em dívidas, a empresa agora se prepara para atuar com unidades de negócio desvinculadas, cada uma desenhada para atender às especificidades de seu setor.
O movimento ocorre em um momento crucial, onde a companhia tenta superar desafios de alavancagem financeira e obstáculos produtivos enfrentados no último ciclo. O presidente da Raízen, Nelson Gomes, reforçou que a nova configuração institucional é a chave para conferir agilidade e competitividade, permitindo que as futuras empresas operem com independência de capital e metas de investimento direcionadas.
Distribuição em alta e desafios no campo
No setor de combustíveis, que gerencia a rede sob a bandeira Shell, os resultados recentes trazem otimismo. O EBITDA ajustado atingiu R$ 3,54 bilhões — um salto expressivo, superior ao triplo do registrado no ano anterior. Este avanço foi impulsionado pelo cenário favorável dos preços do petróleo e pelo endurecimento da fiscalização, que reduziu o impacto de práticas irregulares no mercado de distribuição, favorecendo quem atua dentro das normas.
Em contrapartida, a divisão de açúcar e etanol ainda enfrenta um cenário complexo. A operação foi impactada por intempéries climáticas, redução na oferta de matéria-prima e uma capacidade de moagem menor, reflexo direto da alienação de cinco usinas visando o enxugamento da dívida. Enquanto o volume de etanol apresentou alta nas vendas, a estabilidade das cotações impediu um ganho mais robusto na lucratividade, mantendo a pressão sobre a margem do segmento.
O que esperar do modelo de separação
A transição para dois negócios com ações listadas individualmente ainda levanta questões estratégicas. O mercado está atento à modelagem financeira, especificamente à forma como os passivos serão divididos e como cada entidade definirá seu custo de capital. Sobre a engenharia financeira final, o CFO Lorival Luz manteve a cautela, limitando-se a enfatizar que a administração trabalha para otimizar a estrutura de capital de ambas as frentes.
Lorival Luz declarou:
A meta é entregar a estrutura de capital mais eficiente possível ao término desta reestruturação.
A declaração indica que o foco da gestão permanece na criação de valor a longo prazo e na transparência para o investidor. A expectativa é que, no curto prazo, a distribuição de combustíveis continue sendo o pilar de sustentação financeira do grupo, enquanto o braço sucroenergético busca a recuperação operacional. Com a autonomia prevista, as duas novas empresas ganharão liberdade para definir seus próprios caminhos de investimento, encerrando a fase de centralização que marcou a história recente da Raízen.
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