A Binatural defende a expansão do biodiesel para setores estratégicos como transporte marítimo e ferroviário. A empresa aponta que o biocombustível é uma solução imediata e eficaz para acelerar a transição energética e a descarbonização no Brasil.
A Binatural, uma das principais produtoras de biodiesel do país, marcou presença de destaque na 32ª Fenasucro & Agrocana, em Sertãozinho (SP). Durante o evento, que é referência global em bioenergia, a companhia reforçou o potencial do biocombustível como uma ferramenta imediata para enfrentar os desafios climáticos e impulsionar a economia sustentável.
O head comercial da empresa, Manuel Viveiros, utilizou a plataforma da Fenabio para defender que a indústria brasileira já possui a escala, a tecnologia e a matéria-prima necessárias para ampliar o uso do produto. Segundo o executivo, o foco deve ir além do setor rodoviário, alcançando áreas cruciais como o transporte marítimo, ferroviário e a geração termelétrica.
Biodiesel: uma solução imediata para a descarbonização
O debate sobre a transição energética costuma focar em tecnologias futuras, mas a Binatural sublinha a importância de aplicar soluções que já estão disponíveis e consolidadas. O biodiesel se destaca pelo seu caráter drop-in, permitindo que seja incorporado à infraestrutura existente sem a necessidade de adaptações complexas.
“O biodiesel já é produzido em escala no Brasil e temos capacidade industrial para avançar. Quando olhamos para setores que precisam reduzir suas emissões, temos uma solução disponível agora, que aproveita uma cadeia produtiva consolidada no país e ainda gera benefícios econômicos e sociais. Ampliar esses usos é uma oportunidade de transformar descarbonização em desenvolvimento”, afirma Manuel Viveiros, que também é coordenador na Ubrabio.
Oportunidades no transporte marítimo
O setor de transporte marítimo, responsável por cerca de 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, encontra no biocombustível um aliado importante para atingir as metas de emissões líquidas zero até 2050. Como o biodiesel pode ser misturado aos combustíveis fósseis, as empresas podem iniciar a redução de sua pegada de carbono de forma gradual e imediata.
“O transporte marítimo não precisa esperar até 2050 para começar a reduzir suas emissões. O biodiesel permite iniciar esse movimento agora. É uma solução que já existe, é produzida em escala e pode ser incorporada às operações atuais. Cada litro de combustível fóssil que conseguimos substituir hoje representa uma redução que começa a ser contabilizada imediatamente”, defende Viveiros.
Avanços regulatórios e incentivos
Um dos pontos altos discutidos foi a Lei do Combustível do Futuro, que simplificou o uso voluntário de teores de biodiesel acima da mistura obrigatória. Ao dispensar a anuência prévia da ANP para setores como ferrovias e navegação, a legislação removeu barreiras burocráticas, facilitando a adesão das empresas a fontes de energia mais limpas.
Essa mudança regulatória tem estimulado o interesse de diversos segmentos da economia. A redução de entraves permite que companhias testem o biocombustível em suas frotas cativas e operações, acelerando a adoção de práticas alinhadas ao desenvolvimento sustentável.
Impacto econômico e social da bioenergia
A trajetória do biodiesel no Brasil vai muito além do viés ambiental. Com mais de 90 bilhões de litros produzidos, o programa nacional tem sido fundamental para a segurança energética, evitando bilhões de dólares em importações de combustíveis fósseis. Além disso, a cadeia produtiva sustenta mais de 300 mil famílias de agricultores, conectando a agenda de sustentabilidade ao desenvolvimento regional.
A visão da Binatural é que o fortalecimento desse setor consolide o Brasil como uma potência em energia limpa. A expansão para novos mercados, como a geração elétrica e o transporte pesado, deve manter o país na vanguarda da economia de baixo carbono, garantindo que o crescimento industrial caminhe de mãos dadas com a responsabilidade socioambiental.
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