O programa de gas release em debate promete dinamizar o mercado de gás natural, abrindo novas perspectivas para agentes do setor, segundo a Compass.
A Compass enxerga um cenário promissor com a implementação do programa de gas release, atualmente em fase de discussões regulatórias. A empresa de energia acredita que a iniciativa tem o potencial de aumentar significativamente a liquidez do mercado de gás natural, gerando um leque de novas oportunidades para os diversos participantes. Apesar do otimismo, a companhia ressalta que ainda é prematuro quantificar os impactos diretos em seus próprios negócios.
Durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre, a Compass foi questionada sobre como o gas release poderia beneficiar a Edge, unidade de negócios focada no mercado livre de energia. A resposta da empresa foi clara: é preciso aguardar o desenrolar do processo regulatório. Antônio Simões, CEO da Compass, destacou o caráter transformador da medida:
“Sem dúvida nenhuma, é mais uma das ações que vai trazer movimento, vai trazer liquidez, tem aí uma perspectiva de oportunidade para todos os players do setor. É cedo ainda para fazer um comentário mais específico.”
As discussões que envolvem o gas release integram uma agenda regulatória de longo prazo, promovida pelo Ministério de Minas e Energia e pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Essas mudanças foram antecipadas com a aprovação da Lei do Gás, em 2021, que visa modernizar o setor.
A Compass enfatiza a importância do debate técnico e da preservação dos contratos existentes para o sucesso da transição. A empresa defende que consultas públicas e audiências são essenciais para a construção de uma regulamentação que ofereça segurança jurídica e estabilidade ao mercado. Simões complementou que a companhia participa ativamente para contribuir com um marco regulatório robusto e duradouro, focado em maior transparência, concorrência e competitividade.
Acesso a Terminais de GNL e Expansão da Edge
Em relação ao acesso de terceiros aos terminais de GNL, a Compass sugere que as novas regras considerem as especificidades de cada infraestrutura e detalhem aspectos cruciais como códigos de conduta e procedimentos de acesso. A empresa vê com bons olhos a manutenção dos princípios de preferência do proprietário e de acesso negociado na proposta.
“O importante é que princípios foram mantidos nessa proposta: preferência do proprietário e um acesso negociável”, afirmou Simões, ressaltando que tais elementos são fundamentais para mitigar incertezas sobre investimentos já realizados e futuros.
O movimento regulatório ocorre em um período de forte expansão para a Edge, que tem impulsionado a migração de consumidores para o mercado livre. No segundo trimestre, a Edge registrou um aumento de 27% nas comercializações no mercado interno, alcançando 461 milhões de m³, e mais que dobrou sua base de contratos para 61. A Compass projeta que essa trajetória de crescimento continuará, acompanhando a tendência de migração de consumidores, e mantém sua participação de mercado entre 20% e 25% entre os consumidores que já aderiram ao mercado livre. Na Comgás, aproximadamente 74% do volume de gás já transita pelo mercado livre, sinalizando um cenário favorável para a expansão da Edge nos próximos períodos.























