Candidato à presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, confronta declarações do governo sobre minerais estratégicos e reforça aposta na industrialização local como motor de desenvolvimento econômico.
A corrida eleitoral de 2026 ganhou um novo capítulo de embate direto sobre política energética e soberania industrial. Nesta quarta-feira (12), o presidenciável Ronaldo Caiado (PSD) utilizou um evento com empresários em São Paulo para responder a acusações recentes feitas pelo presidente Lula (PT) a respeito de sua gestão de recursos naturais.
O centro da divergência gira em torno do plano de Caiado para as terras raras e outros minerais críticos. Enquanto o Planalto argumenta que o candidato estaria cedendo ativos nacionais aos Estados Unidos, o ex-governador de Goiás refutou veementemente a ideia, classificando os ataques como infundados e politizados.
Foco em valor agregado e tecnologia
Durante o encontro organizado pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), o candidato defendeu que o foco do seu programa é a transformação da cadeia produtiva brasileira. O objetivo, segundo Caiado, é interromper a exportação de matéria-prima bruta para fomentar a fabricação local de produtos de alta tecnologia.
A ideia é que, por meio de parcerias estratégicas, o país consiga instalar plantas de processamento e separação mineral. Com isso, seria possível produzir internamente componentes fundamentais para a transição energética, como baterias de última geração, semicondutores e componentes para turbinas eólicas.
A proposta não visa a venda de nossas reservas, mas a incorporação de tecnologia avançada para que possamos agregar valor ao que hoje sai do país em estado primário, gerando empregos e riqueza aqui dentro.
Desafios e o papel da iniciativa privada
O presidente Lula havia questionado anteriormente a legitimidade de acordos celebrados pelo candidato com empresas estrangeiras, alegando que a propriedade das reservas minerais pertence à União. Em resposta, Caiado sustentou que o debate tem sido contaminado por desinformação e ideologia, ignorando o potencial econômico da medida.
Para o presidenciável, o caminho para superar as limitações de receita do país e ampliar a base industrial brasileira exige uma articulação tripartite. Ele defende a convergência entre políticas públicas, excelência acadêmica das universidades e o dinamismo da iniciativa privada.
A polêmica sublinha como a gestão de minerais críticos se consolidou como um dos temas decisivos para o futuro do Brasil. O próximo passo dessa disputa deve ecoar nos debates presidenciais, onde a eficácia da transição energética e a capacidade de processamento industrial do país serão postas à prova.
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