Electra negocia venda de usinas hidrelétricas para grupo Calpar
O setor de energia renovável no Brasil acompanha de perto a negociação entre a Electra Hydra e empresas ligadas ao grupo Calpar, capitaneado pela família Bertolini. A possível transação envolve duas pequenas centrais hidrelétricas (CGHs), localizadas em Ponta Grossa, no Paraná, e já está sob análise de órgãos reguladores como o Cade e a Aneel.
A operação sinaliza um movimento estratégico para ambas as partes. Para a Electra Hydra, a venda representa uma oportunidade de otimizar seu portfólio e realocar capital para novos investimentos em geração limpa. Já para o grupo Calpar, a aquisição reforça seu compromisso com a sustentabilidade e a integração da produção de energia renovável em suas diversas atividades, especialmente no agronegócio.
Detalhamento da Operação
As usinas em questão são a CGH Pitangui, com capacidade instalada de 0,9 MW, e a CGH São Jorge, de 2,3 MW. Ambas foram adquiridas pela Electra Hydra em 2024, em um pacote de ativos vendidos pela Copel. A venda para as holdings Famiglia Bertolini Investimentos e J Bertolini, braços do grupo Calpar, visa justamente alinhar a geração de energia limpa com os objetivos ambientais do grupo.
O grupo Calpar possui uma atuação diversificada que abrange desde a mineração e insumos agrícolas até o beneficiamento, armazenagem e secagem de grãos, além de incursões nos setores metalúrgico e de turismo. A aquisição destas CGHs se insere em uma estratégia de verticalização e fortalecimento da sua cadeia produtiva, com foco em autossuficiência energética e redução da pegada de carbono.
Estratégia da Electra Hydra
Em comunicado ao Cade, a Electra Hydra, que pertence ao grupo Electra (atualmente em recuperação judicial e sob controle da Intrepid), destacou que a alienação das CGHs permitirá o retorno sobre os investimentos realizados. Os recursos obtidos com a venda serão direcionados à modernização de outros ativos da empresa e ao desenvolvimento de novos projetos de geração de energia renovável.
Recentemente, a Electra também protocolou na Aneel um pedido para alterar o regime jurídico da PCH São Jorge, buscando a conversão de sua concessão para CGH, evidenciando o interesse em manter a exploração do potencial hidrelétrico da usina. A energia gerada neste empreendimento é comercializada no Ambiente de Contratação Livre (ACL), mercado que tem ganhado relevância no setor elétrico brasileiro.
Análise Regulatória e Próximos Passos
A operação, que envolve a transferência de ativos de geração de energia, está sujeita à aprovação do Cade, responsável por analisar potenciais impactos na concorrência, e da Aneel, que fiscaliza o setor elétrico. No caso da CGH São Jorge, a Aneel requisitou documentos complementares, incluindo a comprovação da continuidade da gestão de segurança das barragens e estruturas associadas, após a mudança no regime jurídico.
A expectativa é que a aprovação dessas negociações avance nos próximos meses, consolidando a estratégia de crescimento e sustentabilidade do grupo Calpar e liberando capital para a Electra Hydra focar em suas prioridades de expansão em energia limpa. O desfecho desta transação poderá servir como um indicativo da dinâmica de consolidação e reestruturação em curso no setor de geração distribuída no país.
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