A Energisa reportou prejuízo de R$ 40 milhões no segundo trimestre de 2026, impactado por ajustes contábeis na venda de ativos, apesar de manter planos de redução de dívidas.
O setor de energia limpa e infraestrutura elétrica observou um movimento atípico no balanço da Energisa referente ao segundo trimestre de 2026. A companhia, que havia registrado um lucro de R$ 490 milhões no mesmo período do ano anterior, reverteu esse cenário para um prejuízo contábil de R$ 40 milhões. Este resultado reflete um ajuste substancial de R$ 596 milhões, que, segundo a empresa, não impacta o fluxo de caixa, mas altera o registro contábil de ativos destinados à venda.
O foco da estratégia da Energisa permanece na otimização de seu portfólio. A venda de ativos de transmissão de energia para a Taesa, avaliada em R$ 2,3 bilhões, é o pilar central para o desalavancamento financeiro do grupo. Mesmo com a volatilidade nos resultados financeiros, a organização busca equilibrar o crescimento operacional com uma estrutura de capital mais saudável para os próximos anos.
Impacto do Cenário Financeiro
O desempenho recorrente da companhia foi pressionado, em grande parte, pelo aumento nas despesas financeiras, que totalizaram um resultado líquido negativo de R$ 1,8 bilhão. Esse aumento de 72% na comparação anual é justificado pelo maior custo médio do endividamento e pela elevação do saldo da dívida líquida. Ajustando fatores não recorrentes, o lucro líquido consolidado da Energisa somou R$ 88 milhões.
A companhia espera que a operação contribua para reduzir o endividamento, apesar do impacto negativo no resultado contábil do trimestre.
Desempenho Operacional e Distribuição
A receita líquida ajustada da Energisa cresceu 4%, atingindo R$ 7,2 bilhões, impulsionada por uma atuação diversificada. O Ebitda ajustado recorrente manteve-se estável, com R$ 1,95 bilhão, evidenciando a força de suas unidades de transmissão, da plataforma (re)energisa e da distribuição de gás natural. Por outro lado, a distribuição de energia elétrica enfrentou desafios, com uma retração nos resultados, em parte devido à dinâmica complexa do mercado cativo e à geração distribuída.
Apesar dos números contábeis desafiadores, a Energisa mantém seu compromisso com os acionistas. O conselho de administração aprovou o pagamento de R$ 251,5 milhões em dividendos intercalares, previstos para 24 de agosto. Com a conclusão da venda para a Taesa, o mercado aguarda uma melhora na saúde financeira da companhia para o segundo semestre, focada em consolidar seus investimentos em transmissão e soluções de energia renovável.






















