A inviabilidade de conexão ao Sistema Interligado Nacional forçou a desistência de projetos solares que somariam 300 MW de potência instalada no Rio Grande do Norte.
A transição energética brasileira sofreu um revés importante no estado do Rio Grande do Norte. A Vento Solar Energia Renovável solicitou e obteve junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o cancelamento das outorgas de seis usinas fotovoltaicas que prometiam injetar uma carga expressiva de energia limpa na matriz nacional.
O impedimento técnico de conectar as unidades geradoras ao Sistema Interligado Nacional (SIN) tornou a operação inviável do ponto de vista comercial. Sem o acesso à rede de transmissão, a companhia não conseguiu viabilizar os contratos de venda da energia que seria produzida, levando à interrupção definitiva dos planos de implementação.
O impacto do gargalo na transmissão
Os projetos afetados — identificados como Nova Esperança 1 a 3, situados em João Câmara, e Talhado 12 a 14, em Açu — haviam recebido autorização em 2022. A decisão de desistir desses ativos destaca um problema recorrente no setor: a discrepância entre a autorização para geração e a capacidade real de escoamento da energia.
A impossibilidade de firmar contratos de comercialização, causada pela ausência de pontos de conexão viáveis, impediu que esses empreendimentos saíssem do papel.
Desafios para o setor solar
A medida foi oficializada no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, 29 de julho. O caso ilustra um cenário de cautela para investidores do mercado de fontes renováveis no Nordeste. Embora o potencial solar da região seja abundante, a infraestrutura de transmissão ainda é um gargalo que limita a expansão acelerada de novos parques.
O episódio serve como alerta sobre a necessidade de maior sinergia entre o planejamento de expansão da capacidade geradora e os investimentos na rede básica de transmissão. Para os próximos anos, o mercado observa com expectativa se as medidas regulatórias serão suficientes para destravar o escoamento necessário e evitar que outros projetos de energia renovável enfrentem o mesmo destino.





















