O custo do diesel e da gasolina importados pelo Brasil alcançou o maior nível dos últimos dois meses, pressionado por conflitos internacionais e mudanças na política de subvenções do governo federal.
O mercado de combustíveis brasileiro enfrenta um momento de tensão com a recente elevação nos preços dos produtos importados. De acordo com dados apurados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em parceria com a S&P Global Commodity Insights, o Preço de Paridade de Importação (PPI) do diesel saltou para uma média de R$ 5,279 por litro entre os dias 13 e 17 de julho. Este valor representa um incremento expressivo de 13% na comparação semanal.
A gasolina segue a mesma tendência de alta. O custo médio do litro importado atingiu R$ 3,60, o que equivale a um avanço de 8,65% frente à semana anterior. Esse cenário de encarecimento é reflexo direto de instabilidades geopolíticas que voltaram a sacudir o mercado de energia global.
Fatores globais impulsionam o barril
A escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã foi o gatilho para a retomada da valorização do petróleo. Após um breve respiro no mês de junho, o barril do tipo Brent voltou a subir, fechando o pregão do dia 20 de julho cotado a US$ 89,22, uma alta de 1,27%.
O efeito desse desequilíbrio é sentido além das fronteiras brasileiras. Nos Estados Unidos, o preço da gasolina ao consumidor superou novamente a barreira psicológica de US$ 4 por galão, evidenciando que a crise é uma preocupação generalizada para a economia global.
Queda na oferta russa e impacto interno
Outro elemento que contribui para a pressão sobre os preços é a redução drástica na oferta de diesel russo. Com a intensificação da guerra na Ucrânia, a infraestrutura de refino e exportação da Rússia tem sido alvo frequente de ataques, resultando em uma queda acentuada na disponibilidade desse combustível para o mercado brasileiro.
Considerando que cerca de 30% do diesel consumido no País provém do exterior, qualquer oscilação nas cotações internacionais gera reflexos imediatos na inflação doméstica. A situação torna-se ainda mais delicada devido à estratégia do governo brasileiro de retirar gradualmente os subsídios que protegiam o consumidor final. Após o fim do cashback de R$ 0,36 por litro, a subvenção atual está restrita ao montante de R$ 1,12, o que deixa o consumidor mais exposto às volatilidades do mercado externo.






















