O setor de energia no Brasil alcançou um marco histórico: o ONS contratou 344 MW em redução de demanda, garantindo maior eficiência ao SIN e superando recordes anteriores com alta competitividade.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) consolidou uma vitória estratégica para a segurança energética do país nesta quarta-feira, 15 de julho. Ao encerrar o terceiro certame do Mecanismo Competitivo de Resposta da Demanda por Disponibilidade, o órgão garantiu 344 MW de capacidade, um salto expressivo de 50% em comparação à edição de 2025.
Este movimento não apenas estabelece um novo patamar de volume para a modalidade, mas também destaca a adesão crescente de grandes consumidores à estratégia de flexibilidade. O sucesso da iniciativa reafirma o papel da Resposta da Demanda como uma alternativa econômica e eficiente para equilibrar o Sistema Interligado Nacional (SIN) sem a necessidade de acionar usinas de custo elevado.
Competitividade e foco na eficiência operacional
A disputa chamou a atenção não apenas pela quantidade de megawatts contratados, mas pelo nível de agressividade nos preços. O mercado apresentou um deságio médio de 49,23% em relação ao preço-teto estabelecido de R$ 55 mil por MW, com descontos que chegaram a atingir 57,5% em determinadas ofertas.
“O resultado reforça a consolidação da resposta da demanda como ferramenta para aumentar a flexibilidade da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN). O aumento no volume negociado, aliado aos deságios registrados, evidencia a competitividade da iniciativa e sua contribuição para uma operação mais segura, eficiente e econômica”, afirmou Marcio Rea, diretor-geral do ONS.
Perfil dos participantes e próximos passos
A distribuição geográfica e setorial dos vencedores revela o forte protagonismo da indústria pesada. Com 61% da carga centralizada no eixo Sudeste/Centro-Oeste, o setor de metalurgia liderou as participações, respondendo sozinho por 86% de toda a energia colocada à disposição para redução.
O cronograma de implementação já está definido: as empresas vencedoras têm até o final de julho para formalizar os contratos. A partir de setembro de 2026, esses grandes consumidores receberão uma remuneração fixa mensal. Em contrapartida, deverão estar prontos para reduzir seu consumo em momentos críticos de ponta — entre 18h e 22h — conforme o planejamento operacional do ONS.
Essa medida, que faz parte do Sandbox Regulatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), sinaliza uma mudança de paradigma. Ao remunerar o consumo consciente em horários de estresse, o sistema ganha resiliência e aprimora sua gestão energética, consolidando-se como uma peça fundamental para o futuro da infraestrutura elétrica nacional.























