Redes subterrâneas são descartadas pela ANEEL pela inviabilidade financeira e potencial aumento nas tarifas de energia.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) sinalizou que não tornará obrigatório o enterramento de redes de distribuição de energia em todo o país. A decisão, embasada em um estudo técnico, visa evitar um impacto financeiro colossal que seria repassado diretamente aos consumidores, elevando substancialmente as tarifas.
A área técnica da agência analisou a viabilidade de transição de redes aéreas para subterrâneas como uma medida para aumentar a resiliência do sistema elétrico frente a eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes. No entanto, a conclusão foi de que os custos envolvidos na implementação em larga escala são proibitivos.
## Custos Exorbitantes Assombram a Proposta
O estudo aponta que a infraestrutura subterrânea pode custar de quatro a dez vezes mais do que as redes aéreas convencionais. Para empresas como a Light, a conversão completa de sua rede exigiria um investimento de aproximadamente R$ 103 bilhões, um valor que ultrapassa cem vezes o seu investimento anual registrado em 2024. Casos semelhantes se repetem com outras distribuidoras: a EDP São Paulo e a Neoenergia Cosern estimam gastos na casa dos R$ 29 bilhões cada, enquanto a Neoenergia Elektro projeta um custo impressionante de R$ 241 bilhões.
Diante desses números, a ANEEL entende que seria impraticável financiar tal empreendimento majoritariamente por meio das tarifas de energia, impactando diretamente o bolso dos brasileiros. A agência reforça que o princípio da modicidade tarifária é um pilar fundamental da regulação do setor elétrico nacional.
## Soluções localizadas e eficientes em pauta
A análise da agência também levou em conta experiências internacionais, onde o enterramento generalizado de redes é a exceção, sendo mais comum em projetos urbanísticos específicos, centros de alta densidade populacional ou áreas com valor histórico e turístico, muitas vezes com participação de outras esferas de governo.
Apesar de descartar a obrigatoriedade, a diretoria da ANEEL poderá abrir uma consulta pública para debater outras alternativas que promovam a resiliência das redes. Entre as possibilidades a serem discutidas estão o uso de redes compactas, a priorização de áreas consideradas mais críticas e a implementação pontual de redes subterrâneas em locais estratégicos. O objetivo é buscar um equilíbrio entre a segurança energética e a sustentabilidade econômica para os consumidores.




















