A escalada de tensões entre EUA e Irã elevou o preço do petróleo e reacendeu o embate entre o governo Lula e o setor ruralista por novos subsídios e benefícios fiscais.
A crise geopolítica no Oriente Médio, marcada pela recente troca de ataques entre forças americanas e iranianas, gerou um efeito imediato nas commodities globais. Com a cotação do barril de petróleo saltando 6% em poucas horas, a estabilidade interna dos preços dos combustíveis tornou-se uma urgência, recolocando em xeque a política econômica do governo federal.
O cenário de instabilidade fragiliza os planos da equipe de Dario Durigan, que buscava encerrar a política de subsídios aos combustíveis. Enquanto a tentativa de remover os auxílios de 36 centavos no diesel e 44 centavos na gasolina perde força, a bancada ruralista enxerga no momento a oportunidade ideal para negociar pautas de interesse do agronegócio no Congresso.
O embate pelo PLP 114 e a defesa dos biocombustíveis
O centro das negociações gravita em torno do PLP 114/2026. Originalmente desenhado para conter a alta dos combustíveis, o texto tornou-se palco de disputas políticas. Insatisfeitos com a falta de incentivos ao etanol hidratado, lideranças do setor buscaram incluir salvaguardas que garantissem a competitividade dos biocombustíveis frente aos fósseis.
A relatora Marussa Boldrin tentou ampliar o escopo da proposta, vinculando receitas extraordinárias da exportação de petróleo ao financiamento de dívidas rurais. O movimento gerou um impasse com o governo, que receia o impacto fiscal diante da proximidade do vencimento da MP 1340, que regula o imposto sobre exportação de petróleo.
A disputa entre o governo e a Frente Parlamentar da Agropecuária revela um cenário onde a segurança energética e a demanda por crédito rural se tornam peças de um mesmo tabuleiro político.
Projeções e o futuro dos subsídios ao campo
Além do projeto voltado aos combustíveis, o setor rural pressiona pela aprovação do PL 5122/2023. O texto prevê uma expansão significativa de financiamentos e subsídios, com impacto estimado pela Fazenda em R$ 140 bilhões ao longo de 13 anos. O governo sinaliza veto, oferecendo uma alternativa via medida provisória, mas a resistência do agro é firme.
Sob a mediação do presidente da Câmara, Hugo Motta, a articulação busca destravar o impasse antes que a volatilidade externa afete ainda mais o custo de vida interno. Contudo, enquanto o governo tenta manter a responsabilidade fiscal, o agronegócio mantém sua estratégia de exigir crédito subsidiado e prazos alongados, garantindo que o confronto sobre a política de subsídios continue como protagonista na agenda do Legislativo.





















