A diretora da EPE, Heloisa Borges, encerra seu ciclo na autarquia federal para assumir novos desafios corporativos na multinacional francesa TotalEnergies após período de quarentena.
Uma das figuras mais influentes no planejamento energético brasileiro está de saída. Heloisa Borges, atual diretora de Estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), formalizou sua saída da instituição. Sua permanência no cargo está garantida apenas até o próximo dia 9 de julho.
A transição marca o movimento de um nome de peso do setor público para o mercado privado. Com uma trajetória consolidada, Borges foi convidada para liderar a diretoria de Assuntos Externos da TotalEnergies, reforçando o braço institucional da gigante do setor de energia no Brasil.
Processo de transição e conformidade ética
Como parte dos trâmites legais para evitar conflitos de interesses, a executiva consultou previamente a Comissão de Ética Pública. O parecer estabeleceu que, após o desligamento oficial, ela deverá cumprir um período de quarentena de seis meses antes de iniciar suas atividades na nova empresa.
O recesso obrigatório começa a contar a partir do dia 10 de julho. Esse prazo é uma prática comum para servidores públicos de alto escalão que migram para o setor privado, garantindo a integridade das informações estratégicas aos quais tiveram acesso durante a gestão.
A movimentação de quadros técnicos qualificados entre o setor público e empresas privadas como a TotalEnergies demonstra a alta valorização de especialistas no mercado de energia limpa e óleo e gás, desde que respeitados os ritos institucionais de transparência.
Trajetória acadêmica e profissional
Heloisa Borges é reconhecida por sua sólida formação técnica. Doutora em economia pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), ela construiu uma carreira longeva no serviço público, integrando o quadro de servidores da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) desde 2006.
Sua passagem pela EPE, iniciada em maio de 2020, foi marcada por estudos estratégicos sobre a transição energética e o papel dos combustíveis fósseis na matriz nacional. Agora, na TotalEnergies, ela terá como missão principal a gestão de relacionamentos estratégicos com entes governamentais.
A expectativa é que Borges atue fortemente tanto na esfera federal quanto na local, com foco especial nos polos de decisão em Brasília e no Rio de Janeiro. A chegada da executiva ao time da companhia francesa sinaliza um fortalecimento na interlocução com o governo brasileiro, em um momento em que o país debate novas metas de descarbonização e investimentos em fontes renováveis.






















