A Embaixada da Alemanha promoveu em Brasília um evento estratégico focado em parcerias para a exploração de terras raras, visando ampliar o suporte tecnológico e financeiro ao mercado brasileiro.
Com o objetivo de fortalecer a cooperação internacional em minerais vitais para a transição energética, o governo alemão organizou nesta sexta-feira (3) um encontro de alto nível na capital federal. A reunião conectou autoridades e empresas privadas de ambos os países para debater o futuro da cadeia de suprimentos de elementos cruciais para a fabricação de componentes de alta tecnologia, eletrônicos e sistemas de defesa.
O evento contou com a presença de figuras-chave, como o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, além de representantes do Ministério de Minas e Energia, da Fazenda, do BNDES e da ApexBrasil. A iniciativa reflete o interesse de Berlim em transcender o papel de simples importadora, estabelecendo-se como uma parceira estratégica capaz de prover capital e know-how técnico.
Foco em valor agregado e tecnologia
Durante as discussões, diversas companhias com operações no Brasil — incluindo Aclara, Brazilian Rare Earths e Viridis Mining and Minerals — apresentaram o estágio atual de seus projetos. O desafio central reside em transformar o potencial geológico nacional em uma indústria competitiva. O governo brasileiro mantém a premissa de que a exploração não deve se limitar à exportação bruta, mas deve focar na agregação de valor dentro do território nacional.
A ofensiva alemã ocorre em meio a uma reconfiguração geopolítica global. A União Europeia busca, de forma acelerada, reduzir sua dependência da China no processamento de minerais críticos. Ao se posicionar com menos atritos políticos e maior foco em transferência tecnológica, a Alemanha tenta consolidar um diferencial competitivo diante de outras potências, como os Estados Unidos.
“Não vou chamar de preferência, mas temos mais proximidade (com a UE). Com algumas empresas, pensamentos, com algumas atitudes. Acho que a Alemanha tem essa liderança e capacidade de fazer essa articulação com vários fundos e empresas”, destacou o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller.
Viabilizando projetos com o German Raw Materials Fund
Um dos destaques da pauta foi o papel do German Raw Materials Fund. Operado pelo banco público KfW, o fundo pode disponibilizar aportes entre € 50 milhões e € 150 milhões por iniciativa. Esses recursos são voltados a projetos que garantam a segurança do suprimento industrial europeu, abrangendo desde a extração até a reciclagem de materiais.
Apesar da oportunidade, o setor ainda enfrenta gargalos significativos. Questões como a complexidade do licenciamento ambiental, a necessidade de rotas metalúrgicas avançadas e a estruturação de contratos de longo prazo seguem como obstáculos para a viabilidade financeira plena. O encontro em Brasília serviu, portanto, para mover o debate do campo institucional para o terreno das negociações práticas, aproximando investidores alemães de projetos locais com alto potencial para a economia verde.























