Mesmo com a recente escalada de preços do petróleo provocada pelo cenário geopolítico no Irã, a Shell Brasil mantém o otimismo sobre os próximos leilões da ANP.
A instabilidade no Oriente Médio, que resultou em uma valorização imediata do preço do barril no mercado internacional, não deve alterar os planos das gigantes do setor de óleo e gás para o Brasil. Segundo o presidente da Shell Brasil, Cristiano Pinto da Costa, as movimentações de curto prazo não possuem força para impactar estratégias que são desenhadas para durar décadas.
O executivo reforçou essa visão durante o Energy Summit, realizado no Rio de Janeiro. Para ele, o ciclo de investimento em exploração e produção opera sob uma ótica de longo prazo, tornando o cenário atual irrelevante para a tomada de decisão das petroleiras em novos certames.
Visão estratégica de longo prazo
Conforme explicou Cristiano Pinto da Costa, o hiato entre a participação em um leilão e o início efetivo da extração de petróleo é extenso, o que naturalmente blinda o setor contra oscilações de mercado temporárias.
“Você participa no leilão agora, entra na fase de exploração, desenvolvimento e vai começar a produzir em uns 7 a 10 anos. Companhias como a Shell e outras grandes do setor olham e planejam isso em décadas. Então, o que aconteceu recentemente não tem impacto.”
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou que as sessões públicas da Oferta Permanente de Partilha (OPP) e da Oferta Permanente de Concessão (OPC) estão agendadas para 7 de outubro. O certame ofertará centenas de blocos exploratórios, incluindo áreas estratégicas no pré-sal.
O futuro dos campos maduros
Além do interesse em novas áreas, o presidente da Shell Brasil defendeu a necessidade de uma atualização no regime tributário aplicado aos campos maduros. O objetivo seria prolongar a vida útil de ativos como os localizados na Bacia de Campos, que enfrentam declínio natural de produtividade.
Para o executivo, ajustes regulatórios são fundamentais para manter a competitividade desses ativos. Caso o modelo atual seja mantido, existe o risco de interrupção precoce da produção por falta de viabilidade econômica. O setor aguarda que o debate avance em sintonia com as melhores práticas internacionais, garantindo que o Brasil continue extraindo recursos de forma eficiente e sustentável.





















