Cade aprova fusão entre Saipem e Subsea7 sem restrições mesmo com alertas do mercado

Cade aprova fusão entre Saipem e Subsea7 sem restrições mesmo com alertas do mercado
Cade aprova fusão entre Saipem e Subsea7 sem restrições mesmo com alertas do mercado - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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O Cade autorizou a incorporação da Subsea7 pela Saipem, consolidando uma gigante no setor offshore, apesar da resistência de players globais que temiam a concentração de mercado.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) deu sinal verde, sem impor qualquer restrição, para a união estratégica entre a Saipem e a Subsea7. Ambas as companhias são referências mundiais na prestação de serviços e no fornecimento de tecnologia para a cadeia de óleo e gás, especialmente em operações complexas em alto-mar.

A operação não passou despercebida pelos principais nomes do setor energético. Empresas como Petrobras, ExxonMobil, Technip, Ocyan, Solstad e Baker Hughes manifestaram preocupação junto ao órgão regulador. O argumento central dos concorrentes era que a fusão elevaria excessivamente a concentração no mercado de dutos submarinos — conhecidos tecnicamente como segmento Surf (risers e flowlines) —, o que poderia pressionar os custos de projetos offshore.

O desafio dos dutos rígidos no pré-sal

A análise do Cade focou na criticidade dos equipamentos necessários para o pré-sal. Devido às elevadas concentrações de gás carbônico na região, a tecnologia exige obrigatoriamente o uso de dutos rígidos, que dependem de embarcações especializadas para o lançamento em águas profundas. Atualmente, a frota global desse tipo de navio é limitada a cerca de 20 unidades, sendo que a nova empresa concentrará 40% dessa capacidade.

Contudo, após analisar os dados, o órgão antitruste concluiu que a oferta global é suficiente para suprir a demanda. O relatório aponta que a frota existente possui um nível de ociosidade capaz de absorver os projetos dos próximos anos sem riscos de desabastecimento.

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“De acordo com um exercício apresentado pelas requerentes, seriam necessárias apenas duas a três embarcações, por ano, para atender a demanda de instalação de dutos rígidos em águas profundas no Brasil, entre 2026 e 2030. Em âmbito global, de sete a onze embarcações seriam suficientes para atender à projeção de demanda mundial (incluindo o Brasil) nesse mesmo período, ante uma oferta global de cerca de 20 embarcações”, destacou o documento do Cade.

Impactos operacionais e o futuro do setor

A decisão destaca que os tomadores de serviço possuem alternativas para garantir a competitividade, como o afretamento de longo prazo ou estratégias de verticalização. Além disso, o órgão reconheceu que a integração das frotas pode gerar ganhos de eficiência logística, ao otimizar o deslocamento das embarcações entre as áreas de atuação.

Apesar da aprovação, o regulador manteve uma postura cautelosa em relação aos benefícios diretos para o consumidor final. Segundo o relatório, embora a fusão prometa eficiência, “não foi possível concluir que haveria repasse relevante dos ganhos de eficiências decorrentes da operação para os consumidores”.

O aval do Cade representa um marco na consolidação do mercado offshore. A expectativa agora recai sobre como a nova estrutura da Saipem e Subsea7 se comportará nas próximas licitações globais e se a anunciada eficiência logística será, de fato, refletida em custos mais competitivos para as operadoras de energia.

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