O comércio internacional surge como pilar na transição energética global.
A Conferência Climática da ONU (SB64), sediada em Bonn, Alemanha, tem como um de seus focos centrais o intrincado diálogo entre transição energética e comércio internacional. Diante da aceleração de políticas ambientais e de descarbonização em todo o mundo, as nações buscam alinhar suas estratégias comerciais com as metas climáticas.
A primeira reunião do Integrated Forum on Climate Change and Trade (IFCCT), iniciativa que teve seu embrião na COP30, reuniu representantes de diversos países para discutir os impactos das políticas climáticas no cenário econômico global. O evento destacou a complexidade de estabelecer novas regras comerciais que não criem barreiras ao desenvolvimento, especialmente para nações em desenvolvimento, sem comprometer os objetivos de sustentabilidade.
## Diálogo Climático em Bonn: Visões Divergentes e Pontos em Comum
O encontro em Bonn evidenciou a divisão de perspectivas entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Grupos como os LMDCs, africanos e árabes expressaram preocupação com a imposição de medidas como ajustes de carbono na fronteira, exigências de rastreabilidade e novos padrões de sustentabilidade, vistas como potenciais entraves à sua industrialização. Em contrapartida, blocos como AILAC e AOSIS defenderam a necessidade de maior cooperação para democratizar o acesso a tecnologias limpas, financiamento e mercados.
A União Europeia, por exemplo, defende a complementaridade entre políticas comerciais e climáticas para impulsionar a transição. A discussão central que emergiu é a divisão dos custos e responsabilidades na adaptação das cadeias produtivas globais às novas demandas climáticas.
## A Busca por Convergência e a “Interoperabilidade” Regulatória
Apesar das divergências, um movimento em direção à convergência é percebido, com o Brasil atuando como facilitador. A proposta é reforçar a responsabilidade institucional, aumentar a transparência e obter reconhecimento das economias desenvolvidas sobre a necessidade de apoiar as nações em desenvolvimento. A criação do IFCCT, sob a presidência brasileira da COP30, visa justamente aproximar diplomatas de áreas distintas para debater soluções práticas.
O fórum reflete a compreensão de que a nova economia energética está sendo moldada em múltiplas frentes: climática, comercial e industrial. Temas como política industrial verde, minerais críticos, hidrogênio e bioeconomia estão em pauta. O conceito de “interoperabilidade” ganha força, propondo a capacidade de diferentes sistemas regulatórios se comunicarem sem a necessidade de uniformização total, evitando assim que as políticas ambientais se transformem em disputas comerciais.
O diretor da Divisão de Comércio e Ambiente da Organização Mundial do Comércio, Aik Hoe Lim, ressalta a importância do diálogo contínuo. “Maior transparência sobre as medidas comerciais relacionadas ao clima, combinada com diálogo contínuo e cooperação, pode ajudar a construir confiança, ampliar a compreensão mútua e reduzir o risco de atritos comerciais não intencionais”, pontua. Os debates em Bonn deverão subsidiar futuras discussões na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).























