A Atlas Renewable Energy identifica um cenário mais favorável para o setor de energia renovável no Brasil, mas mantém uma postura de cautela antes de retomar grandes investimentos no país.
O setor de energia limpa no Brasil começa a vislumbrar um horizonte mais promissor. A Atlas Renewable Energy, que anteriormente havia paralisado um projeto de US$ 1 bilhão devido à instabilidade do mercado elétrico e ao impacto severo dos cortes de carga, agora enxerga indícios positivos na agenda regulatória nacional. Contudo, o otimismo é equilibrado pela prudência, com a empresa aguardando definições concretas antes de oficializar a volta de seus aportes financeiros.
O reflexo dos cortes de energia (curtailment)
Para o CEO da Atlas no Brasil, Fabio Bortoluzo, o biênio 2025-2026 foi um período de incertezas estratégicas. Durante esse intervalo, a companhia optou por manter suas operações em “espera”, reflexo direto do aumento do chamado curtailment, prática em que usinas eólicas e solares são forçadas a interromper a geração por limitações na infraestrutura de transmissão. Esse cenário dificultou a viabilidade de novos empreendimentos, forçando as investidoras — entre elas a Global Infrastructure Partners (GIP), ligada à gigante BlackRock — a reavaliar a exposição ao mercado brasileiro.
Regulação como chave para o desenvolvimento
A retomada da confiança dos investidores agora está atrelada ao avanço de marcos regulatórios vitais. Segundo Bortoluzo, pontos fundamentais incluem o desdobramento da Consulta Pública 45 da Aneel e a efetivação de termos de compromisso voltados a sanar as disputas por cortes de geração.
Entre as pautas em discussão, a regulamentação do armazenamento de energia por meio de baterias desponta como o sinal mais encorajador. Para o executivo, este avanço é um gatilho essencial para destravar novos capitais, uma vez que a tecnologia permite otimizar a conexão entre projetos existentes e futuras instalações. A própria Atlas já utiliza essa expertise em operações no Chile e vê no Brasil um enorme potencial, desde que o ambiente de governança seja consolidado.
Projeções para 2027
Embora exista uma percepção de melhora, o curto prazo permanece focado em análises técnicas. A possibilidade de reabertura da torneira de investimentos a partir de 2027 existe, mas o sinal verde depende exclusivamente do ritmo de implementação das mudanças regulatórias. A companhia segue monitorando de perto a evolução dessas discussões, reforçando que, apesar do potencial inegável do mercado brasileiro, a segurança jurídica e a eficiência operacional continuam sendo as premissas inegociáveis para a expansão do portfólio de energias renováveis da organização.




















