O ONS redefine regras para o posicionamento estratégico de baterias em leilões de energia.
O cenário energético brasileiro está prestes a testemunhar uma evolução significativa na integração de sistemas de armazenamento de energia. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) anunciou que três critérios essenciais nortearão a definição de onde os projetos de baterias serão instalados para os próximos leilões de reserva de capacidade na modalidade de potência (LRCaps), programados para dezembro.
A iniciativa visa assegurar a máxima eficiência e confiabilidade desses equipamentos. A premissa é clara: garantir que as baterias possam ser plenamente carregadas e descarregadas no dia a dia, sem enfrentar barreiras na infraestrutura de transmissão. O desafio atual reside em evitar situações onde a energia excedente é absorvida durante o dia, mas o escoamento noturno é limitado, comprometendo a disponibilidade das baterias no ciclo seguinte.
Novos Critérios para Otimizar a Localização de Baterias
Para mitigar esses gargalos, o ONS estabeleceu diretrizes que priorizam a localização estratégica. Projetos de baterias não deverão se situar em áreas de alta demanda de carga, pois isso pode impor restrições ao processo de carregamento. Em contrapartida, os locais ideais permitirão o carregamento pleno durante os períodos de maior demanda e disponibilidade energética, geralmente entre 11h e 15h.
A capacidade de descarga também é um fator determinante. As baterias deverão estar posicionadas em regiões com infraestrutura de escoamento e demanda adequadas, facilitando a injeção da energia armazenada diariamente no sistema. Estas diretrizes serão aplicadas tanto em cenários operacionais críticos quanto nos considerados normais.
“Se uma bateria for instalada em um local com escoamento limitado a cenários críticos, há o risco de que ela permaneça carregada sem poder descarregar e, consequentemente, não consiga cumprir sua função no dia seguinte”, explicou Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS, durante o Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase).
Ele ressaltou que essa configuração garante que a bateria estará em um local viável para o ONS, tanto em situações críticas quanto para suprir demandas fora desses cenários, permitindo o carregamento no momento oportuno de sobras energéticas.
A Portaria MME nº 136/2026 já estabelece que o ONS deverá apresentar a nota técnica detalhando a capacidade de escoamento até 30 de setembro. Complementando essas definições, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) identificará as áreas do Sistema Interligado Nacional (SIN) com menor robustez elétrica, que se beneficiarão mais da instalação de baterias, concedendo um bônus de 10% na oferta de potência para os empreendimentos nessas localidades.
Em outro âmbito, o ONS também se prepara para os potenciais impactos do fenômeno climático El Niño, avaliando a necessidade de resguardar reservatórios de usinas estratégicas, como Itaipu, para garantir o suprimento de potência e manter os níveis de água elevados até o período chuvoso.





















