A Coalizão Eólica Marinha (CEM) formalizou uma aliança estratégica com o World Forum Offshore Wind (WFO), consolidando o Brasil como um player chave na transição energética global e offshore.
O setor de energia renovável no Brasil acaba de ganhar um importante impulso em sua estratégia de internacionalização. A Coalizão Eólica Marinha (CEM), entidade que lidera o desenvolvimento dessa tecnologia no país, oficializou a integração do World Forum Offshore Wind (WFO) à sua estrutura de governança. O movimento marca um novo capítulo para a infraestrutura energética nacional, alinhando o mercado doméstico aos padrões técnicos e regulatórios adotados pelos países com maior maturidade no uso dos ventos marítimos.
Esta cooperação vai além da troca de informações, consolidando o Brasil como uma peça central no tabuleiro global de descarbonização. Ao conectar o ecossistema brasileiro a uma rede que reúne centenas de empresas e especialistas internacionais, a CEM busca acelerar o amadurecimento dos projetos que transformarão a costa brasileira em um dos maiores polos de produção de energia limpa do planeta.
Governança e intercâmbio técnico internacional
A parceria já possui efeitos práticos na estrutura organizacional da CEM, com a inclusão de Johannes Dimas, representante do WFO no Brasil, no Comitê Diretor da associação. A presença de um elo direto com a organização sediada em Hamburgo é fundamental para que o país desenvolva marcos regulatórios robustos, capazes de destravar investimentos em áreas como licenciamento ambiental, logística portuária e a complexa integração destas usinas ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Sobre a importância dessa união, Roberta Cox, presidente da CEM e diretora de políticas para o Brasil no GWEC, reforçou o papel estratégico desta cooperação:
A entrada do WFO representa um marco para a CEM e para o desenvolvimento da eólica offshore brasileira. Estamos conectando ainda mais o Brasil diretamente às experiências mais avançadas do mundo e criando condições para que o país participe de forma protagonista da próxima grande fronteira da transição energética global. Esta parceria reforça nossa capacidade de produzir conhecimento, apoiar a construção de políticas públicas, atrair investimentos e contribuir para o desenvolvimento de uma indústria competitiva, sustentável e alinhada às melhores práticas internacionais, fortalecendo o papel do Brasil entre os mercados mais promissores para a expansão da eólica offshore no mundo.
Projeções de trilhões para a economia
O cenário de implementação da eólica offshore no Brasil é extremamente favorável, impulsionado por ventos constantes e baixa turbulência, além da vasta experiência técnica acumulada no setor de exploração marítima. Estimativas conjuntas do Ministério de Minas e Energia (MME) e do Banco Mundial indicam que, se bem estruturada, a indústria de energia marinha tem o potencial de injetar cerca de R$ 1 trilhão na economia nacional até 2050.
Além do impacto financeiro, o setor deve ser um dos maiores geradores de empregos qualificados no país nas próximas décadas. A meta é criar mais de 500 mil postos de trabalho, um reflexo direto da necessidade de alta especialização tecnológica para a construção e manutenção de parques eólicos em alto-mar. Para Edisiene Correia, diretora-executiva da CEM, a missão é clara: unir academia, setor privado e governo para viabilizar esse crescimento.
O Brasil como hub de referência regional
Com o apoio do WFO, o objetivo imediato é transformar o território brasileiro em um hub de referência para a América Latina. A ideia é que o país sirva como um modelo de sucesso, exportando inteligência regulatória e expertise de engenharia para nações vizinhas que também buscam diversificar suas matrizes através dos ventos oceânicos.
A cooperação técnica prevê estudos de viabilidade detalhados e programas de capacitação profissional, garantindo que o país não apenas importe tecnologia, mas lidere o desenvolvimento de soluções adaptadas à sua realidade marítima. A expectativa é que, com essa maior integração global, o Brasil supere os entraves regulatórios e consolide, de vez, a eólica marinha como um dos pilares da economia verde brasileira nos próximos anos.





















