O Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP) 2026 é defendido por órgãos técnicos, que alertam sobre déficit de potência mesmo com 19,5 GW contratados.
A manutenção integral do Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP) 2026 foi o ponto central de uma audiência pública na Câmara dos Deputados, com forte defesa dos órgãos responsáveis pelo planejamento e operação do sistema elétrico brasileiro. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e o Ministério de Minas e Energia (MME) apresentaram uma frente unida contra propostas de cancelamento parcial do certame e de reabertura para sistemas de armazenamento por baterias.
A mensagem clara dos representantes técnicos foi que, apesar dos 19,5 GW já contratados, o sistema elétrico do Brasil continuará a enfrentar desafios relacionados à adequação de potência até 2030. O volume de contratos não é considerado um excesso de oferta, mas sim uma resposta crucial à crescente demanda em momentos de pico.
O Desafio da Potência em uma Matriz Renovável
A matriz energética brasileira passa por uma transformação significativa, com a expansão acelerada das fontes eólica e solar. Embora essenciais para a transição energética e a redução de emissões, essas fontes intermitentes não garantem disponibilidade contínua, elevando a preocupação com a chamada adequação de potência.
Alexandre Zucarato, diretor de Planejamento do ONS, destacou que os estudos da instituição apontam para a necessidade de reforços adicionais para assegurar a segurança do suprimento. Mesmo após o LRCAP 2026, o sistema pode enfrentar déficits de potência em determinados cenários entre 2026 e 2030. A preocupação do operador transcende a geração de energia, focando cada vez mais na disponibilidade de potência nos horários críticos de atendimento à carga.
> “A discussão em torno do LRCAP 2026 expõe uma questão estrutural para o futuro do setor elétrico brasileiro: como garantir potência firme em uma matriz cada vez mais dependente de fontes renováveis variáveis.”
Impactos Econômicos e a Maturidade Tecnológica
A EPE alertou sobre os riscos econômicos de uma eventual suspensão ou revisão do leilão. O presidente da EPE, Thiago Prado, enfatizou que a anulação não seria apenas um adiamento de investimentos, mas exigiria uma nova licitação em um cenário potencialmente mais adverso, com custos maiores para fornecedores, investidores e consumidores. As condições econômicas e os deságios significativos obtidos no certame de março seriam difíceis de replicar.
A proposta de substituir parte da contratação por sistemas de baterias, defendida por alguns parlamentares, encontrou resistência nos órgãos técnicos. A visão predominante é que o Brasil ainda não possui um arcabouço regulatório consolidado para transferir contratações de larga escala para tecnologias em amadurecimento. O ministro interino de Minas e Energia, Gustavo Ataíde, ressaltou a necessidade de preservar a coerência do planejamento e incorporar novas tecnologias de forma gradual.
A audiência na Câmara sinalizou que o debate sobre a garantia de potência firme em uma matriz cada vez mais renovável e a integração de novas tecnologias como o armazenamento continuará a ser um pilar na agenda elétrica brasileira nos próximos anos.























