CNEN celebra sete décadas de história com foco em inovação e desafios na área nuclear.
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) comemorou seu 70º aniversário com uma audiência pública na Câmara dos Deputados, destacando seus avanços, os obstáculos enfrentados e os projetos futuros para o setor nuclear brasileiro. Durante o evento, a liderança da CNEN enfatizou a necessidade de estabilidade orçamentária e a urgente recomposição de seu quadro de servidores, que sofre com defasagem há mais de uma década.
O presidente da CNEN, Francisco Rondinelli Júnior, ressaltou as contribuições significativas da entidade, com destaque para a produção nacional de radiofármacos, essenciais para diagnósticos médicos. Ele também atualizou o cronograma para a construção do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), um empreendimento estratégico para o desenvolvimento científico e tecnológico do país na área nuclear. \”A produção de tecnécio, que atende a mais de 80% dos exames de medicina nuclear, é um exemplo da nossa capacidade. Com o RMB, aprimoraremos ainda mais o fornecimento de radioisótopos e diminuiremos nossa dependência externa\”, afirmou Rondinelli Júnior, anunciando a inauguração do local do reator para junho.
Avanços e Aplicações Diversificadas da Energia Nuclear
A atuação da CNEN vai além da medicina, abrangendo áreas cruciais como a esterilização de produtos médicos, farmacêuticos e biológicos, além da radioesterilização de tecidos para tratamentos, como no caso da pele de tilápia para queimaduras. A entidade também desenvolve pesquisas para o controle de vetores de doenças, como o Aedes aegypti, e para a eliminação de fungos em bens culturais. Outras aplicações incluem o beneficiamento de minerais, como topázio e quartzo, por radiação, e o desenvolvimento de medidores radioativos e escâneres de carga para a indústria.
Defesa da Energia Nuclear e Necessidade de Investimento
O deputado Julio Lopes (PP-RJ), coordenador da Frente Parlamentar da Tecnologia e Atividades Nucleares, reforçou a importância estratégica da conclusão da Usina Angra 3 para a geração de energia limpa e segura, além de fortalecer a soberania nacional. Ele criticou o preconceito e a desinformação que ainda cercam o setor, contrastando com o aumento de investimentos em energia nuclear por potências mundiais. \”Temos reservas de urânio, competência técnica e cientistas extraordinários. É nosso dever transformar esse potencial em desenvolvimento econômico e empregos qualificados\”, defendeu Lopes.
Desafios na Recomposição do Quadro de Servidores
Um dos principais pleitos apresentados pelos diretores da CNEN foi a recomposição do quadro de servidores, atualmente com apenas 46% dos cargos preenchidos. A previsão é que esse índice caia para 23% com as aposentadorias. O recente concurso de 2025, com a nomeação dos primeiros 100 servidores, é um passo positivo, mas o deputado Reimont (PT-RJ) reiterou a urgência em nomear os 440 concursados restantes. \”Precisamos avançar na contratação desses profissionais, algo que tenho cobrado do governo\”, declarou Reimont.
Histórico e Reestruturação da CNEN
Criada em 1956, a CNEN marcou o início da era nuclear no Brasil com a instalação do primeiro reator de pesquisa no hemisfério sul no ano seguinte. Transformada em autarquia em 1962, a CNEN passou por uma reestruturação em 2025, focando em pesquisa, desenvolvimento, inovação e formação de recursos humanos. As funções de regulação e fiscalização foram delegadas à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN). A entidade também lidou com o grave acidente radiológico de Goiânia em 1987, um marco que resultou na transformação de uma área de descarte de césio-137 no Parque Telma Ortegal, evento que ganhou repercussão internacional com uma série da Netflix.























