A Acelen Renováveis, do Mubadala Capital, confirma investimento de US$ 1,5 bilhão para erguer biorrefinaria de SAF e diesel verde na Bahia, impulsionando a transição energética.
O cenário de energia limpa e sustentável no Brasil acaba de ganhar um impulso significativo. A Acelen Renováveis, braço do fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala Capital, anunciou nesta quinta-feira a decisão final de investimento (FID) para a construção de uma ambiciosa biorrefinaria na Bahia. O projeto, que receberá um aporte inicial de US$ 1,5 bilhão, promete posicionar o país como um polo relevante na produção de combustíveis renováveis de alta demanda global.
Esta iniciativa representa um passo fundamental para o setor, visando a produção de Sustainable Aviation Fuel (SAF) e diesel verde (HVO) em larga escala. A planta, que será erguida ao lado da Refinaria de Mataripe, também da Acelen, reflete a confiança de investidores internacionais no potencial brasileiro para a descarbonização e a expansão da matriz energética sustentável.
Um Marco para a Produção Sustentável
O projeto total da biorrefinaria prevê investimentos superiores a US$ 3 bilhões. A primeira fase, com o aporte de US$ 1,5 bilhão, será financiada por um robusto consórcio liderado por duas potências financeiras, HSBC e IFC (International Finance Corporation), e que inclui mais dez instituições de renome mundial e nacional. Entre elas estão o BNDES, BID Invest, First Abu Dhabi Bank (FAB), Abu Dhabi Commercial Bank (ADCB), Asian Infrastructure Investment Bank (AIIB), Development Finance Institute Canada (FinDev Canada), KfW IPEX-Bank, Bradesco, BBVA e Bank of China.
“Com presença consolidada no país, o Mubadala Capital acredita no potencial do Brasil para desenvolver combustíveis renováveis em larga escala — e está comprometido a fazer parte dessa jornada”, declarou Leonardo Yamamoto, sócio do fundo, ressaltando a visão estratégica de longo prazo no mercado brasileiro de biocombustíveis.
Ambição Produtiva e Mercado Global
A expectativa da Acelen Renováveis é que a planta produza anualmente 1 bilhão de litros de combustíveis renováveis, sendo capaz de alternar a produção entre SAF e HVO conforme a demanda de mercado. Embora o decreto para regulamentar o mandato de uso de SAF no Brasil ainda esteja pendente, o projeto avança firmemente. Isso se deve, principalmente, a contratos de compra (off-take) já estabelecidos para aproximadamente 90% da produção futura, direcionados aos mercados da Europa e dos Estados Unidos. O início das operações da biorrefinaria está programado para 2029.
Compromisso com a Sustentabilidade e Parcerias Estratégicas
A IFC, membro do Grupo Banco Mundial, desempenhou um papel crucial na estruturação financeira, atuando como coordenadora geral em conjunto com o HSBC. Essa coordenação garantiu que o projeto seguisse elevados padrões internacionais de sustentabilidade e governança.
“O projeto seguirá rigorosos padrões internacionais de sustentabilidade, governança e responsabilidade socioambiental definidos pela IFC, incluindo critérios ambientais, sociais e de gestão reconhecidos globalmente para projetos de infraestrutura e transição energética”, garantiu o comunicado oficial à imprensa, destacando a seriedade do empreendimento.
Olaf Schmidt, diretor regional da Indústria para Manufatura, Agronegócio e Serviços da IFC na América Latina e Europa, enfatizou que o apoio a uma das primeiras instalações de SAF em grande escala na América Latina visa demonstrar sua viabilidade comercial e abrir portas para investimentos similares na região. O empreendimento conta com a expertise de parceiros tecnológicos como Honeywell UOP e Alfa Laval, além de acordos comerciais com nomes como Trafigura, Moeve, Bunge e BGN. Luiz de Mendonça, CEO da Acelen Renováveis, reforça que “a estruturação deste financiamento confirma a robustez técnica, financeira e socioambiental do projeto. Entramos agora em uma nova etapa de execução industrial em larga escala”.
Matéria-Prima e Impacto Social
A biorrefinaria utilizará, inicialmente, uma combinação de matérias-primas como óleo de soja, UCO (óleo de cozinha usado) e gordura animal. Contudo, a planta prevê a incorporação progressiva da macaúba, à medida que sua produção agrícola avance. A Acelen tem planos ambiciosos de cultivar 144 mil hectares de macaúba em áreas degradadas nos estados da Bahia e Minas Gerais, com cerca de 20% da produção destinada à agricultura familiar.
“Esta operação reforça nosso compromisso em apoiar clientes e parceiros na transição energética, conectando financiamento global a projetos transformacionais com impacto econômico, social e ambiental de longo prazo”, afirmou Alexandre Guião, CEO do HSBC Brasil, ressaltando o papel da instituição na viabilização de um futuro mais verde.
O investimento da Acelen Renováveis marca um divisor de águas para a indústria de biocombustíveis no Brasil, consolidando a posição do país como um player estratégico na energia limpa. Com a previsão de início de operação em 2029, a nova biorrefinaria na Bahia não apenas fortalecerá a capacidade produtiva nacional, mas também contribuirá significativamente para a descarbonização do transporte aéreo e rodoviário global. Esse projeto multimilionário, impulsionado por um consórcio financeiro robusto e compromisso com a sustentabilidade, promete gerar impactos positivos duradouros para a economia, o meio ambiente e as comunidades























