O Ministério de Minas e Energia deu o primeiro passo para avaliar a viabilidade técnica de elevar a mistura de biodiesel no diesel para até 25%, conforme prevê a nova legislação.
O governo federal oficializou nesta quarta-feira, 20 de maio, um cronograma de testes rigorosos para verificar o comportamento de motores diante de teores mais elevados de combustíveis renováveis. A iniciativa busca transformar em evidências técnicas a possibilidade de saltar dos atuais 15% (B15) para até 25% (B25) de biodiesel na mistura comercializada em todo o país.
A medida está alinhada à lei do Combustível do Futuro (lei nº 14.993/2024), que aponta o caminho para a descarbonização do setor de transportes brasileiro. Embora o foco seja a viabilidade técnica — deixando de lado, neste momento, discussões sobre custos e impactos socioeconômicos — o resultado das análises será fundamental para subsidiar futuras deliberações do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética).
Metodologia dos ensaios
Para garantir a precisão dos dados, os testes serão divididos em duas etapas distintas: uma primeira fase que analisa a transição de 15% para 20%, seguida por uma segunda fase dedicada ao intervalo de 20% a 25%. O protocolo exige o uso de motores que representam fielmente a realidade da frota brasileira, incluindo desde veículos pesados com maior tempo de uso até propulsores modernos de alta tecnologia.
A avaliação será exaustiva, monitorando a estabilidade do combustível, a formação de sedimentos e resíduos em tanques, além dos índices de degradação do diesel. O plano considera também a diversidade da matéria-prima nacional, como o óleo de soja e o sebo bovino, que possuem propriedades químicas distintas e reagem de maneiras específicas no interior dos motores.
“As avaliações têm como objetivo gerar evidências técnicas sobre o desempenho, a segurança operacional e a adequação das misturas, para subsidiar a eventual mudança do ponto de vista legal e regulatório.”
Desafios e perspectivas futuras
A transição para um patamar mais elevado de biocombustíveis é vista por especialistas como uma ferramenta poderosa para reduzir a dependência externa de derivados de petróleo e mitigar a emissão de poluentes. No entanto, o tema desperta cautela na indústria automobilística, que teme por possíveis danos aos componentes mecânicos e perda de performance.
Com a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) supervisionando um parque industrial de 59 usinas autorizadas, o país se prepara para um possível aumento na demanda. Caso os testes comprovem a segurança operacional, o Brasil poderá consolidar sua posição como líder global em transição energética, contanto que o escalonamento da produção nacional consiga acompanhar os novos padrões de mistura sem pressionar excessivamente os preços ao consumidor final.























