A transição energética global alcançou um marco histórico em 2025, com fontes limpas superando o carvão. Enquanto o mundo avança, o Brasil corre o risco de retroceder ao investir em fósseis.
O ano de 2025 marcou um ponto de inflexão fundamental na história da eletricidade global. Pela primeira vez em um século, as fontes renováveis superaram a geração a carvão, assumindo o protagonismo na oferta mundial de energia. Este avanço não foi apenas simbólico: o crescimento da demanda global por eletricidade, que totalizou 849 TWh, foi integralmente absorvido por fontes de baixo carbono, sinalizando que a dependência estrutural dos combustíveis fósseis atingiu seu ápice e começa a declinar.
A velocidade dessa transformação surpreende, especialmente em nações frequentemente associadas ao consumo intensivo de carvão. A China, por exemplo, reduziu sua dependência de termelétricas fósseis, enquanto a Índia projeta um pico no uso de carvão significativamente menor do que o chinês. O grande motor dessa mudança é a viabilidade econômica: em diversos mercados, a combinação de energia solar com sistemas de armazenamento já se mostra mais barata do que a operação de novas plantas movidas a carvão ou gás.
A ascensão das baterias como pilar da transição
O sucesso dessa nova fase energética está diretamente ligado à queda acentuada nos custos dos sistemas de armazenamento de energia. Com o preço dos pacotes de baterias estacionárias atingindo a marca de US$ 70/kWh em 2025, a viabilidade de uma matriz despachável baseada em renováveis tornou-se uma realidade prática. Países como Chile, Austrália e a região da Califórnia lideram a implementação dessas tecnologias, integrando baterias de grande escala ao sistema elétrico para garantir estabilidade e eficiência, superando em velocidade e custo a construção de novas usinas térmicas tradicionais.
“A solar despachável com bateria tornou-se mais barata e rápida de construir que térmicas a gás, consolidando o armazenamento como a tecnologia que destrava a segunda fase da descarbonização mundial.”
O cenário brasileiro: um risco para a vantagem competitiva
Embora o Brasil seja reconhecido mundialmente por possuir uma matriz elétrica majoritariamente limpa, o momento atual exige cautela. Com a geração hidrelétrica enfrentando quedas sucessivas nos últimos três anos devido a mudanças climáticas e hídricas, a estratégia governamental tem se voltado para a ampliação de usinas térmicas a gás. Esta abordagem coloca o país em uma direção oposta à tendência global, criando o risco de um “lock-in” de infraestrutura fóssil que pode persistir por décadas.
A falta de um incentivo estrutural para o uso de sistemas de baterias em larga escala é o principal gargalo. Ao ignorar o avanço do armazenamento de energia como substituto das térmicas, o Brasil corre o risco de desperdiçar sua vantagem histórica. Manter o foco em combustíveis fósseis enquanto o restante do mundo migra para o armazenamento inteligente pode transformar a outrora vanguarda brasileira em um modelo defasado, comprometendo a sustentabilidade e a competitividade do sistema elétrico nacional a longo prazo.























