Pesquisa da EY aponta que, apesar do crescimento das vendas de veículos elétricos, gargalos em infraestrutura e custos elevados ainda impulsionam a preferência dos consumidores brasileiros por modelos tradicionais de combustão interna.
O mercado automotivo vive um momento de dicotomia. Enquanto o interesse global pela sustentabilidade cresce, a preferência dos consumidores brasileiros por veículos a combustão interna avançou para 49%. O dado, parte do Índice de Mobilidade do Consumidor (MCI) da EY, revela que, embora os modelos movidos a bateria (BEV) ganhem espaço, o ritmo de adoção ainda enfrenta barreiras estruturais significativas.
Apesar dessa resistência, o setor de energia limpa e mobilidade elétrica segue em expansão. No acumulado até 2025, os elétricos registraram um aumento de 33,7% nas vendas, alcançando 4% de participação no mercado nacional. Esse movimento é impulsionado tanto por novas marcas globais quanto por uma mudança gradual na percepção dos motoristas sobre o custo-benefício de tecnologias sustentáveis.
Desafios para a eletrificação
Para especialistas da EY, como Marcelo Frateschi, sócio-líder para o setor automotivo, a transição energética é clara, mas os entraves impedem uma aceleração maior. O aumento do custo dos combustíveis e as preocupações ambientais figuram como os principais motivadores para quem busca migrar para a eletricidade.
“Apesar das incertezas, os principais motivadores para a adoção dos elétricos permanecem claros. O aumento do custo dos combustíveis convencionais lidera como principal fator, citado por 38% dos entrevistados, seguido pelas preocupações ambientais, também com 38%.”
Contudo, a escassez de infraestrutura de recarga pública e residencial continua a ser o maior ponto de dor. Segundo a pesquisa, 36% dos consumidores que descartam a compra de um elétrico apontam a falta de carregadores em casa ou no trabalho como o principal inibidor, seguidos por preocupações com a manutenção e o preço inicial dos modelos.
Mudanças no comportamento de consumo
A jornada de compra também passou por transformações. Embora a concessionária ainda seja o canal principal para 36% dos brasileiros, o ambiente digital ganha força, com 28% preferindo realizar o processo online. Curiosamente, o público interessado em tecnologia automotiva e carros conectados valoriza, acima de tudo, sistemas de navegação e segurança avançada, enquanto serviços de entretenimento ocupam um papel secundário.
No que tange à procedência dos veículos, as marcas europeias lideram a preferência, com 76% de aprovação, seguidas pelas asiáticas. Esse cenário competitivo reflete uma cautela maior do consumidor, que agora analisa não apenas o motor, mas toda a viabilidade operacional do veículo no cotidiano.
O futuro da mobilidade
O impacto dessa movimentação é direto: o mercado de veículos sustentáveis precisará focar na expansão da rede de recarga para converter o interesse em vendas concretas. A projeção é que a eletrificação continue avançando, mas o sucesso dependerá do equilíbrio entre inovação tecnológica, redução de custos e facilidade de acesso à infraestrutura.
O avanço dos híbridos, que já atingem 18% de interesse, sugere uma fase de transição, funcionando como um passo intermediário importante para motoristas que ainda não se sentem prontos para a adoção total da bateria. A eletrificação, portanto, não será um evento súbito, mas uma evolução constante rumo a um ecossistema de transporte mais eficiente e menos dependente de combustíveis fósseis.






















