Petrobras expande investimento em fertilizantes, superando R$ 100 milhões na Fafen Bahia, impulsionada por gás mais barato e estratégia de segurança alimentar.
A Petrobras tem intensificado significativamente seus aportes na unidade de fertilizantes nitrogenados em Camaçari, na Bahia, atingindo a marca de R$ 100 milhões. A informação foi confirmada pela presidente da estatal, Magda Chambriard, e precede a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à fábrica, que retomou suas operações em janeiro deste ano. Inicialmente, a previsão de investimento era de R$ 38 milhões, indicando um crescimento notável no compromisso da empresa com o setor.
A retomada da fábrica representa um movimento estratégico da Petrobras para fortalecer a segurança alimentar e reduzir a dependência externa de fertilizantes no Brasil, um ponto crucial para o agronegócio nacional.
Retomada Estratégica e Desafios Superados
A planta de Camaçari, assim como outra unidade em Sergipe, esteve arrendada à Unigel desde 2019. No entanto, a alta nos preços do gás natural levou a Unigel a suspender as operações em dezembro de 2023. Após tentativas frustradas de um novo acordo para fornecimento de gás, questionado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), a Petrobras realizou uma nova licitação em setembro de 2025, reintegrando as fábricas ao seu portfólio.
A reabertura da unidade baiana em janeiro já demonstra resultados, com uma produção diária de 1,3 mil toneladas de ureia, suprindo cerca de 5% da demanda nacional. Além da ureia, a fábrica também produzirá amônia e ARLA-32, ampliando sua contribuição para o mercado.
O Gás Natural como Motor da Retomada
A chave para a viabilidade da operação, segundo Chambriard, foi o aumento da produção de gás natural pela Petrobras, que culminou na redução do preço da molécula.
“Ela [a Fafen da Bahia] voltou a operar porque nós conseguimos abaixar o preço do gás natural. (…) O que abaixa o preço do gás natural e do fertilizante é produzir em larga escala com investimentos sólidos e determinação de investimento. Quando a gente dá escala, a gente abaixa o preço.”
Em 2025, a produção nacional de gás natural da Petrobras cresceu 10% em relação ao ano anterior, atingindo uma média de 564 milhões de barris equivalentes por dia. A Fafen da Bahia possui uma infraestrutura robusta, incluindo um duto com capacidade para movimentar 1,2 milhão de m³ de gás por dia, essencial para a sustentabilidade de suas operações.
Expansão e Projeções Futuras
O retorno ao setor de fertilizantes é um pilar da nova estratégia da Petrobras. Além das unidades da Bahia e Sergipe, a estatal reativou a Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), no Paraná, em abril, e planeja concluir a planta de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul.
A expectativa é que, até 2028, as quatro fábricas operem em plena capacidade, com a Petrobras suprindo 35% da demanda nacional por fertilizantes nitrogenados. Chambriard ressaltou a importância estratégica dos fertilizantes, não apenas para o país, mas também para a Petrobras, que busca expandir seu mercado de gás natural, um subproduto da extração de petróleo.
Venda Direta e Impacto no Produtor
Para otimizar o acesso aos fertilizantes, o gerente executivo de Processamento de Gás Natural, Wagner Felicio, detalhou a estratégia de venda direta a cooperativas, por meio de acordos com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Essa abordagem visa gerar margens mais atrativas para a companhia e, simultaneamente, reduzir o preço final para pequenos produtores, que antes enfrentavam custos mais elevados de intermediários.
Investimentos na Bahia e Futuro da Refinaria
Além do setor de fertilizantes, Magda Chambriard destacou outros importantes investimentos da Petrobras na Bahia. A área de exploração e produção no estado receberá US$ 3,5 bilhões nos próximos cinco anos, com o objetivo de mais que dobrar a produção de petróleo e gás no Recôncavo Baiano por meio da perfuração de mais de 100 poços e intervenções em poços existentes. Adicionalmente, R$ 115 milhões serão destinados a uma usina de biodiesel em Candeias.
Wagner Felicio também confirmou as negociações da Petrobras com a Acelen, empresa do fundo árabe Mubadala Capital, para a potencial recompra da Refinaria de Mataripe, anteriormente vendida pela estatal. A decisão final, segundo Felicio, será pautada no interesse e na lucratividade para a companhia, evidenciando o foco da Petrobras em decisões de negócio estratégicas e rentáveis.






















