Petrobras avalia expansão da produção de fertilizantes em meio a debate eleitoral e geopolítico.
A gigante estatal do petróleo, Petrobras, está explorando caminhos para expandir a capacidade de suas unidades de fertilizantes nitrogenados (Fafens). A notícia, divulgada nesta quarta-feira (13/5), surge em um momento estratégico, alinhada com as prioridades do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A reativação e o potencial aumento de produção dessas fábricas ganham destaque na pauta eleitoral, especialmente em um cenário de instabilidade no fornecimento global de insumos agrícolas. A própria Petrobras reforça que a viabilidade desses projetos de ampliação dependerá de rigorosas análises financeiras internas, visando a rentabilidade.
Expansão e Retomada: Um Olhar para o Futuro dos Fertilizantes
O gerente-executivo de Processamento de Gás Natural da Petrobras, Wagner Felicio, detalhou que a companhia considera a modernização de suas fábricas existentes para incrementar a produção, um modelo já aplicado em suas refinarias. Atualmente, a Petrobras opera três unidades de fertilizantes, responsáveis por aproximadamente 20% do mercado nacional de ureia.
Além disso, um novo complexo em Três Lagoas (MS) tem previsão de operação em 2029, demandando um investimento substancial de cerca de 1 bilhão de dólares, já aprovado pelo conselho da empresa para a conclusão das obras da UFN III.
O Papel Estratégico da Fafen Bahia
A visita do presidente Lula à Fafen de Camaçari, na Bahia, nesta quinta-feira (14/5), sublinha a importância da unidade para a política de governo. Reativada em janeiro, a fábrica, que estava hibernada desde o fim de 2022 após ter sido arrendada à Unigel no governo anterior, recebeu um investimento de R$ 100 milhões da Petrobras. Com capacidade para 1.300 toneladas diárias de ureia, a unidade supre cerca de 5% da demanda brasileira.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, criticou a iniciativa privada no setor e atribuiu a reativação da Fafen ao aumento da produção de gás natural, destacando seu papel na redução de custos e no fomento do mercado de fertilizantes.
Debates Regulatórios e o Preço do Gás
Chambriard também abordou o programa de desconcentração do mercado de gás (gas release), em discussão na Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Ela enfatizou que a produção em larga escala é o fator determinante para a redução dos preços do gás, e não apenas mudanças de controle acionário ou decisões regulatórias.
O Avanço do Profert no Congresso
Paralelamente, o projeto de lei Profert (PL 699/2023), que visa desonerar o gás natural e conceder incentivos fiscais para a indústria de fertilizantes, segue em tramitação na Câmara dos Deputados. A proposta, que já passou pelo Senado, aguarda apreciação do plenário. O projeto, com relatoria de Júnior Ferrari, propõe um teto de R$ 7,5 bilhões e vigência de cinco anos.
O Profert tem sido objeto de intensos debates no Congresso Nacional, com tentativas anteriores de aprovação e articulações políticas que envolvem a Frente Parlamentar de Apoio à Agropecuária (FPA) e o Poder Executivo. A relevância do projeto se acentua com as flutuações no mercado global de fertilizantes, impulsionadas por conflitos geopolíticos, como a guerra no Irã, um parceiro comercial significativo para o setor.





















